Naufrágio do século 17 revela detalhes sobre o rico comércio da época
O navio estava cheio de materiais de construção com origem em várias pedreiras. Material era extraído da Alemanha e enviado para a Indonésia

Pesquisadores internacionais analisaram os restos do navio Batavia, da Companhia Holandesa das Índias Orientais, naufragado em 1629 na costa da Austrália. Foram encontrados blocos de pedra, tijolos e o lastro da embarcação, que revelaram detalhes de como era feito o transporte de materiais de construção no século 17.
Os materiais de construção presentes no navio tinham origem em várias pedreiras europeias. Uma vez extraídos, eles eram alocados na embarcação e enviados para o outro lado do mundo, evidenciando uma rede comercial sofisticada para a época.
A pesquisa liderada pelo pesquisador Anthony Clarke, da Universidade Curtin, na Austrália, teve seus resultados publicados no Journal of Archaeological Science: Reports nesta quarta-feira (29/7).
O objetivo dos cientistas era saber a origem das pedras – antigamente, supunha-se que todas vinham do mesmo lugar, o que foi refutado no estudo atual. Para chegar a essa conclusão, foram analisados os minerais de zircão dentro das amostras com uma técnica capaz de rastrear a origem e detalhes ocultos nos materiais.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesPor passarem muito tempo no oceano, as pedras pareciam ser idênticas, o que dificultava a identificação da sua origem. No entanto, a técnica aplicada conseguia realizar o rastreio mesmo com a grande semelhança.
Os resultados mostraram que as pedras vinham de ao menos duas áreas de extração diferentes da Alemanha. Acredita-se que, após a obtenção dos materiais, eles tenham sido transportados até a sede fortificada da Companhia Holandesa das Índias Orientais, em Jacarta, na Indonésia.
“A pesquisa destaca a complexidade logística por trás da expansão da Companhia Holandesa das Índias Orientais, incluindo como os materiais de construção eram obtidos, consolidados e transportados por vastas distâncias para sustentar a infraestrutura colonial”, afirma Clarke, em comunicado.
De acordo com os autores, a descoberta demonstra como ainda há muitos segredos e detalhes sobre o passado a serem desvendados nas coleções históricas de naufrágios.



