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Ciência

“Falta multiplicar a excelência”, diz médico sobre a ciência no Brasil

No Brasil para participar de um evento, pesquisador português explica que país investe em ciência, mas não o bastante para influenciar

06/05/2026 13:55, atualizado 06/05/2026 15:45
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Arquivo pessoal
Imagem colorida de homem idoso de terno em ambiente aberto - Metrópoles

O avanço da produção científica na América Latina não tem sido suficiente para garantir maior influência no cenário internacional — um descompasso que preocupa especialistas e ganha espaço em debates globais sobre o futuro da pesquisa.

Em entrevista ao Metrópoles, o imunologista português António Coutinho, uma das principais referências internacionais na área, analisou os entraves que ainda limitam o alcance da ciência produzida na região.

O pesquisador participa do evento Vozes da Ciência Latino-Americana, promovido pelo Einstein Hospital Israelita, nesta quarta-feira (6/5) em São Paulo.

Produção cresce, mas influência não acompanha

Embora países como o Brasil tenham ampliado a produção científica nos últimos anos, o reconhecimento internacional ainda não acompanha o mesmo ritmo. Para Coutinho, o problema não está na falta de capacidade, mas em barreiras estruturais que dificultam o avanço.

“O Brasil tem investido muito na ciência – o que outros países não fazem –, mas não o bastante para chegar a uma influência global”, afirmou.

Na avaliação do especialista, modelos acadêmicos mais conservadores ainda limitam a inovação e reduzem o potencial de impacto das pesquisas. Apesar dos entraves, Coutinho destaca que a América Latina já reúne centros de excelência capazes de competir em alto nível.

O desafio, segundo ele, está em ampliar a conexão entre instituições e pesquisadores. “A ausência de cooperação mais estruturada entre países da região e a limitação de investimentos contínuos acabam restringindo a circulação do conhecimento e o alcance das descobertas”, enfatiza.

Segundo o imunologista, ampliar a presença da ciência latino-americana no mundo depende diretamente da capacidade de integração com redes globais de pesquisa.

“O que falta é multiplicar a excelência que já temos nos centros de pesquisa, buscar colaboração internacional e ampliar o que já existe”, disse. Na prática, isso envolve participação em projetos internacionais, maior intercâmbio acadêmico e fortalecimento de parcerias estratégicas.

Formação em ciência e troca de conhecimento

Outro ponto destacado por Coutinho é o papel da formação internacional de pesquisadores como motor para aumentar a relevância da ciência produzida na região.

Programas que permitem a formação no exterior contribuem para criar cientistas mais conectados com redes globais, além de atrair profissionais com experiência internacional para atuar em instituições locais.