Moléculas ligadas à vida são encontradas em Encélado, lua de Saturno
Moléculas orgânicas detectadas pela sonda Cassini reforçam que o oceano subterrâneo de Encélado pode abrigar condições favoráveis à vida
atualizado
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Novas moléculas orgânicas complexas foram identificadas em grãos de gelo expelidos do interior de Encélado, lua de Saturno. O achado, publicado na revista Nature Astronomy nessa quarta-feira (1º/10), sugere que o oceano subterrâneo do astro abriga reações químicas semelhantes às que precederam a origem da vida na Terra.
Os dados foram coletados pela sonda Cassini, que entre 2004 e 2017 explorou o sistema de Saturno. Em 2008, a espaçonave atravessou diretamente um jato de gelo e vapor que irrompia das fendas no polo sul de Encélado, capturando amostras recém-expelidas pelo oceano interno.
Foi nesse material fresco que os cientistas encontraram compostos nunca antes vistos, incluindo ésteres, alcenos alifáticos, éteres e compostos com nitrogênio e oxigênio — elementos fundamentais nas cadeias químicas que, na Terra, deram origem às primeiras moléculas biológicas.
Segundo o pesquisador Nozair Khawaja, principal autor do estudo, as moléculas identificadas agora ajudam a compreender melhor a composição do oceano subterrâneo.
“Há muitos caminhos possíveis entre as moléculas que encontramos e compostos potencialmente relevantes para a vida, o que torna Encélado um ambiente ainda mais promissor”, afirmou Khawaja em comunicado.
Evidências reforçam potencial de habitabilidade
As análises mostraram que os compostos orgânicos encontrados anteriormente no anel E de Saturno vêm do interior de Encélado, e não são resultado da exposição prolongada ao espaço. Isso indica que o oceano sob a crosta gelada da lua é quimicamente ativo e reúne elementos essenciais à vida, como água líquida, fonte de energia e moléculas orgânicas complexas.
Na Terra, ambientes semelhantes, como fontes hidrotermais no fundo do oceano, abrigam comunidades microbianas que sobrevivem sem luz solar, sustentadas apenas por reações químicas entre água e rocha. A presença de compostos orgânicos em Encélado sugere que processos parecidos podem estar ocorrendo lá.
Nova missão da ESA deve investigar Encélado
As descobertas reforçam os planos da Agência Espacial Europeia (ESA) de enviar uma missão exclusiva a Encélado. A ideia é coletar amostras dos jatos que saem do polo sul da lua e, se possível, pousar na superfície para analisar o material diretamente no local.
Segundo Nicolas Altobelli, cientista do projeto Cassini na ESA, o estudo mostra a importância de revisitar dados antigos com novas ferramentas.
“É fantástico ver descobertas surgindo quase duas décadas depois. Isso reforça o impacto de longo prazo das missões espaciais e orienta as próximas etapas da exploração”, diz.
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