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Cientistas criam língua artificial feita de gel para testar pimentas

Dispositivo criado por pesquisadores chineses reage à capsaicina e promete padronizar testes de picância na indústria de alimentos

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Ilustração colorida de língua sob pimenta pegando fogo - Metrópoles.
1 de 1 Ilustração colorida de língua sob pimenta pegando fogo - Metrópoles. - Foto: wildpixel / Getty Images

Pesquisadores do Instuto  de tecnologia de Xangai, China, desenvolveram um sensor feito de gel capaz de medir o ardor de pimentas sem que pessoas precisem provar alimentos extremamente picantes. As informações sobre a invenção foram publicadas em outubro na revista ACS Sensors.

O dispositivo funciona como uma “língua artificial”, reagindo de forma parecida com a humana quando entra em contato com a capsaicina — substância responsável pela sensação de queimação. A solução foi inspirada em como o leite alivia a ardência e usa esse mesmo princípio químico para avaliar a intensidade da picância de forma segura e precisa.

A tecnologia foi aplicada em pimentas de diferentes níveis de ardor e em alimentos reais. Em todos os testes, o sensor conseguiu identificar variações de intensidade com boa precisão.

Segundo os inventores, a tecnologia representa um importante passo para a indústria de alimentos, que costuma depender de provadores humanos para avaliar produtos, especialmente os mais fortes.

Como a língua artificial funciona

O gel que compõe o sensor imita a textura e as propriedades físicas da língua humana. Quando entra em contato com a capsaicina, ele produz pequenas mudanças em sinais elétricos, permitindo medir o nível de ardor.

Como o processo é padronizado, os resultados deixam de depender do limiar individual de tolerância à pimenta — algo que varia muito entre as pessoas. Esse formato também ajuda a evitar riscos, já que doses muito altas de capsaicina podem causar dor intensa e irritação quando testadas diretamente por voluntários.

O dispositivo oferece uma alternativa mais segura e constante para laboratórios e fabricantes. Além de tornar os testes mais rápidos, o sensor pode ajudar empresas a controlar a qualidade de molhos, temperos e produtos à base de pimenta.

A invenção também abre caminho para outras tecnologias sensoriais que imitam partes do corpo humano, como sistemas capazes de interpretar textura ou até aroma. Os pesquisadores acreditam que, com novas melhorias e outros testes, o dispositivo poderá ser usado diretamente em linhas de produção.

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