Ler ou ouvir? Saiba qual é o melhor formato para absorver informações

Especialistas explicam como o cérebro processa conteúdos lidos e ouvidos e por que a escolha depende do tema e do perfil de cada pessoa

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

thomas-bethge/Gettyimages
Imagem mostra livros empilhados e fones de ouvido - Metrópoles
1 de 1 Imagem mostra livros empilhados e fones de ouvido - Metrópoles - Foto: thomas-bethge/Gettyimages

Com o crescimento de podcasts e audiobooks, o consumo de informação por áudio tornou-se comum na rotina de muitas pessoas. Ao mesmo tempo, a leitura segue como uma das principais formas de estudo e lazer.

Embora o objetivo final seja o mesmo — compreender e guardar a informação —, o caminho percorrido pelo conteúdo no cérebro é diferente. Ler e ouvir não só ativam áreas distintas, como também podem favorecer habilidades específicas e influenciar a memória de formas diversas.

O neurocientista André Leão, que atende em São Paulo, explica que ouvir com frequência conteúdos complexos pode gerar mudanças visíveis nas conexões cerebrais ligadas à compreensão oral.

“Esse fortalecimento decorre da plasticidade cerebral — a capacidade do cérebro de remodelar suas conexões com base na experiência”, afirma.

Diferença entre ler e ouvir na absorção de conteúdo

Na leitura, o cérebro aciona principalmente as áreas occipitotemporais, responsáveis por reconhecer as palavras visualmente, e as regiões pré-frontais, ligadas à interpretação e análise das informações.

Esse processamento visual e analítico costuma dar mais espaço para pausas, releituras e reflexões, favorecendo uma compreensão mais detalhada e criativa.

Já ao ouvir, entram em ação o córtex auditivo e áreas do lobo temporal que integram o significado das palavras. O processamento é mais imediato, guiado pelo ritmo de quem fala, e pode gerar interpretações rápidas e intuitivas.

O neurocirurgião Guilherme Rossoni, que atende no Rio de Janeiro, destaca que, durante a leitura, o cérebro ativa áreas ligadas à visão e interpretação de palavras, enquanto na escuta trabalham mais as regiões responsáveis pela audição e compreensão da fala.

“O cérebro tem uma rota um pouco diferente, mas o objetivo final é o mesmo: entender e armazenar a informação”, diz Rossoni.

Para o especialista, alguns formatos se beneficiam mais de um meio do que de outro. Textos técnicos tendem a ser melhor assimilados na leitura, enquanto histórias e entrevistas costumam fluir melhor no formato de áudio. “O importante é descobrir qual formato funciona melhor para cada pessoa”, afirma.

Foto colorida de mulher lendo livro. Ler ou ouvir, cérebro, absorção
Ler estimula o cérebro a criar novas conexões neurais, melhorando a capacidade de reter informações

Como a memória reage em cada formato

Na leitura, o leitor controla o ritmo: pode desacelerar, voltar a um trecho ou reler sempre que necessário. Esse controle ajuda a consolidar a informação na memória, especialmente em conteúdos complexos.

Na escuta, não há essa liberdade de ritmo, mas a entonação e a carga emocional da fala podem facilitar a lembrança de determinados pontos.

“Quando o conteúdo é lido, você tem mais controle e isso ajuda a fixar. Quando você ouve, pode captar mais emoção, o que também ajuda a memorizar”, explica Rossoni.

No aprendizado de idiomas, por exemplo, os dois formatos trabalham juntos, mas por caminhos diferentes. O conteúdo lido reforça a ortografia e a estrutura gramatical. Já o ouvido desenvolve a percepção dos sons, a pronúncia e a entonação.

Efeito emocional e condições neurológicas

De acordo com o neurocientista, ouvir uma narrativa costuma ativar mais intensamente o sistema límbico — região do cérebro ligada às emoções —, principalmente quando a entonação vocal transmite sentimentos como suspense, alegria ou tristeza.

Na leitura, a reação emocional acontece de forma diferente. Como não há voz ou entonação, a experiência depende mais da imaginação do leitor e da capacidade de construir mentalmente cenários, personagens e diálogos.

Aspectos neurológicos também influenciam na preferência entre ler e ouvir. Pessoas com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) podem encontrar mais facilidade em conteúdos curtos e estimulantes no formato de áudio, que mantêm a atenção por períodos menores.

Já indivíduos com dislexia, que têm dificuldade no reconhecimento visual das palavras, geralmente se beneficiam mais da escuta, que oferece um acesso mais rápido e confortável à informação.

“Cada pessoa tem um jeito de aprender melhor. O mais importante é respeitar e usar isso a favor da aprendizagem”, reforça o neurocirurgião.

Siga a editoria de Saúde e Ciência no Instagram e fique por dentro de tudo sobre o assunto!

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comNotícias Gerais

Você quer ficar por dentro das notícias mais importantes e receber notificações em tempo real?