Expansão agrícola ameaça macaco que vive apenas na Caatinga

Estudo revela que mais da metade do habitat do guigó-da-Caatinga foi tomada por agricultura e áreas degradadas

atualizado

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Reprodução/Niall Perrins/ iNaturalist
Imagem mostra macaco da espécie guigó-da-Caatinga em cima de uma árvore. Metrópoles
1 de 1 Imagem mostra macaco da espécie guigó-da-Caatinga em cima de uma árvore. Metrópoles - Foto: Reprodução/Niall Perrins/ iNaturalist

A Caatinga, único bioma exclusivamente brasileiro, abriga espécies que não existem em nenhum outro lugar do mundo. Uma delas é o guigó-da-Caatinga, um macaco dependente das florestas locais, agora sob ameaça crescente.

Um novo estudo publicado na revista Regional Environmental Change nessa terça-feira (30/9) mostra que a expansão agrícola e a degradação florestal colocam em risco a sobrevivência da espécie, já classificada como criticamente ameaçada de extinção.

A pesquisa foi conduzida por especialistas da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), da Universidade Federal de Sergipe (UFS), do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Primatas Brasileiros (CPB) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Os resultados reforçam a urgência de medidas de conservação, como recuperação florestal e criação de novas áreas protegidas, para garantir o futuro do guigó-da-Caatinga.

Florestas em declínio e avanço do pasto

Ao analisar 84 paisagens da região habitada pelo guigó, os pesquisadores compararam mapas de uso do solo entre 1985 e 2021. Eles constataram que cerca de 17% da cobertura florestal foi perdida no período, enquanto as pastagens cresceram 40%. Hoje, mais da metade da área onde o macaco vive está tomada por agricultura ou terrenos sem vegetação.

“Os guigós precisam das matas e árvores para obter recursos, como alimentação e abrigo, e também para se locomoverem”, explica a pesquisadora Bianca Guerreiro, principal autora do estudo, em comunicado.

O avanço das pastagens traz efeitos diretos sobre o ambiente. Além de fragmentar o habitat, o gado compacta o solo, reduz a infiltração de água e dificulta o crescimento de novas árvores, comprometendo a regeneração natural das florestas.

Espécie isolada e vulnerável

A fragmentação das matas também tem levado à concentração dos grupos de guigós em pequenas áreas, o que aumenta a competição por alimentos e reduz a variabilidade genética.

“Esse confinamento traz várias consequências, como o aumento da competição por recursos, a redução da variabilidade genética e maior vulnerabilidade a distúrbios, como incêndios e doenças”, destaca Guerreiro.

Atualmente, menos de 9% da Caatinga conta com áreas protegidas. O guigó-da-Caatinga foi incluído nas listas de espécies criticamente ameaçadas tanto pela União Internacional para a Conservação da Natureza quanto pelo governo brasileiro.

A pesquisadora defende que estudos como este são fundamentais para orientar políticas de preservação. “Os resultados reforçam a importância de conciliar produção e conservação, o que pode ser incentivado por programas de formação técnica e subsídios específicos”, conclui.

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