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Governo dos EUA vai jogar moscas de avião para evitar praga em gado

Infecção pode matar animais em poucos dias, já causou mais de 90 mil casos e ameaça rebanhos na fronteira dos EUA

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Ramdan Fatoni / Getty Images
Cochliomyia hominivorax, the New World screw-worm fly
1 de 1 Cochliomyia hominivorax, the New World screw-worm fly - Foto: Ramdan Fatoni / Getty Images

Um surto de bicheira-do-Novo Mundo — larva que se alimenta de carne viva de gado — que vem subindo pela América Central acendeu o alerta nos Estados Unidos. O parasita chegou ao sul do México em novembro de 2024 e, com o avanço, portos comerciais de gado foram fechados na fronteira americana.

O plano do governo dos EUA para conter o surto inclui uma medida inusitada: soltar milhões de moscas esterilizadas de aviões. A estratégia já foi usada com sucesso nos anos 1960 e 1970. A ideia é fazer com que os machos estéreis copulem com fêmeas selvagens, impedindo a reprodução.

O perigo da bicheira do Novo Mundo

A bicheira é uma larva da espécie Cochliomyia hominivorax, uma mosca azul-metálica que deposita ovos em feridas de animais vivos. Em até 24 horas, os ovos eclodem e as larvas começam a devorar o tecido do hospedeiro. O parasita pode matar o animal em poucos dias, se não for tratado.

As larvas atacam bois, cavalos, veados e até animais domésticos. Em casos raros, humanos também podem ser infectados. O controle é difícil: não há vacina, e os pecuaristas devem inspecionar diariamente os rebanhos durante os meses mais quentes.

Várias larvas amontoadas
As larvas se enterram na pele e se alimentam do tecido, causando feridas abertas, dor e infecções secundárias

A única instalação que produz as moscas esterilizadas no mundo fica no Panamá e não dá conta da demanda. Por isso, o Departamento de Agricultura dos EUA anunciou a criação de uma nova fábrica na fronteira com o México. O investimento estimado é de 300 milhões de dólares (cerca de R$ 1,5 bilhões).

Como funciona a liberação de moscas

As moscas estéreis são criadas, expostas à radiação gama e soltas por aviões em áreas rurais. Como as fêmeas acasalam apenas uma vez na vida, a reprodução é interrompida. A técnica é considerada segura e não oferece riscos a humanos ou animais.

Desde o início do surto, mais de 90 mil casos de infestação foram registrados na América Central. O tratamento dos animais infectados envolve limpeza das feridas, uso de antissépticos e curativos. Mas o risco de disseminação em larga escala preocupa o setor agropecuário.

A Comissão de Saúde Animal do Texas destaca que, além do prejuízo econômico, a infestação representa risco à biodiversidade. Animais silvestres também podem ser contaminados, o que dificulta ainda mais o controle. O foco agora é impedir que o parasita cruze a fronteira.

O governo dos EUA também vai reformar uma antiga unidade de produção de moscas no México. A expectativa é de que, com a nova estratégia aérea, o parasita seja novamente erradicado.

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