Nova espécie de mosca predadora é descoberta na Mata Atlântica
Inseto de três milímetros, batizado de <i>Hemerodromia mystica</i>, foi encontrado no Parque Estadual da Pedra Branca, no Rio de Janeiro

Uma nova espécie de mosca predadora foi encontrada na Mata Atlântica por cientistas da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). O inseto, batizado de Hemerodromia mystica, foi achado no Parque Estadual da Pedra Branca, na zona oeste do Rio de Janeiro, e descrito em maio na revista internacional Journal of Tropical Insect Science.
O trabalho é assinado pelos pesquisadores Arion Tulio Aranda, Óscar Sánchez Molina e José Rodrigues Gomes, do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), e por Josenir Teixeira Câmara, da UFPB.
A descoberta chamou atenção porque a mosca emergiu de um casulo vazio de borrachudo, comportamento conhecido como inquilinismo, quando um organismo se desenvolve em estruturas construídas por outro. Ainda não se sabe se a estratégia faz parte do ciclo obrigatório da espécie ou ocorre apenas de forma oportunista.
Caçadora de borrachudos
Com apenas três milímetros, corpo escuro e asas transparentes, a H. mystica utiliza as patas dianteiras para capturar presas, de maneira semelhante a um louva-a-deus. Tanto os adultos quanto as larvas se alimentam de borrachudos em diferentes fases, o que pode contribuir para o controle natural desses insetos, que transmitem doenças como a oncocercose e a mansonelose.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles“O primeiro par de patas funciona como uma armadilha para agarrar insetos, incluindo borrachudos. Os machos podem usá-los para se alimentar ou até oferecer como presente às fêmeas durante o acasalamento”, explica Arion Tulio Aranda, curador da Coleção de Simulídeos do IOC/Fiocruz e um dos autores do estudo, em comunicado.
Outro destaque é que este foi o primeiro registro, na região Neotropical, de um adulto da família Empididae descrito junto à sua exúvia pupal — a casca que sobra depois que o inseto deixa o casulo. Isso permite observar com precisão duas fases do ciclo de vida da mesma espécie, algo raro e valioso para a ciência.
Indicadora ambiental
O espécime descrito foi encontrado em vegetação submersa do Rio Piabas, dentro da área de preservação do Parque Estadual da Pedra Branca. A região tem alta umidade, influência dos ventos oceânicos e mata bem preservada, características ideais para espécies sensíveis à qualidade ambiental.
Por depender de cursos d’água limpos, a H. mystica também pode ser usada como indicadora de saúde de ambientes aquáticos e florestais. “Muitas espécies desse gênero foram registradas em unidades de conservação de diferentes biomas, reforçando a importância de estudá-las como bioindicadores”, completa Aranda.
As amostras coletadas foram incorporadas à Coleção Entomológica do IOC (CEIOC/Fiocruz), onde permanecem preservadas para estudos futuros. Para os cientistas, a descoberta mostra que ainda há muito a ser explorado nos biomas brasileiros, mesmo em áreas próximas a grandes centros urbanos.
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