Entenda por que faz tanto frio no espaço mesmo com o Sol tão quente

Embora o espaço seja majoritariamente frio, a temperatura não é a mesma em todos os lugares

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Uma visão espacial da Terra com um furacão claramente visível sobre a Flórida e o Golfo do México. Renderizado em 3D com o 3Dstudio Max. Campo de estrelas, lua e sol claramente visíveis. Metrópoles
1 de 1 Uma visão espacial da Terra com um furacão claramente visível sobre a Flórida e o Golfo do México. Renderizado em 3D com o 3Dstudio Max. Campo de estrelas, lua e sol claramente visíveis. Metrópoles - Foto: photovideostock/Getty Images

O espaço é cheio de enigmas que instigam a curiosidade e um dos mais intrigantes deles é a temperatura. Como pode o universo ser tão gelado se está exposto ao calor de uma estrela como o Sol, com temperaturas que ultrapassam os 15 milhões de graus no núcleo?

A resposta passa pela diferença entre calor e temperatura e pela forma como a energia se propaga fora da Terra. Apesar de o Sol emitir uma quantidade imensa de energia, o espaço, que é quase um vácuo, não tem as condições necessárias para se aquecer como ocorre na Terra.

“Calor é uma sensação térmica, enquanto temperatura está relacionada à vibração dos átomos. Menor vibração significa temperatura baixa, e maior vibração, temperaturas mais altas. O calor, por sua vez, depende da capacidade de um corpo sentir essa variação”, explica o astrônomo Adriano Leonês, da Universidade de Brasília (UnB).

No espaço, só há radiação

O Sol libera energia na forma de radiação eletromagnética, principalmente luz visível e infravermelha, que viaja pelo espaço até atingir planetas, luas e outros corpos celestes. Mas no vácuo quase absoluto do universo, essa energia não encontra meios para se espalhar como faz na Terra.

“No espaço, a energia térmica só pode ser transportada por radiação, porque não há matéria suficiente para que ocorram condução ou convecção. A condução depende do contato entre moléculas, e a convecção requer fluidos como ar ou água, que inexistem no espaço”, esclarece o astrofísico Adam Smith Gontijo, professor da Universidade Católica de Brasília (UCB).

Na prática, isso significa que apenas objetos que interceptam diretamente a radiação do Sol conseguem aquecer. É o caso de planetas com atmosfera, como a Terra, ou superfícies expostas. Fora isso, prevalece o frio extremo, resultado direto da ausência de partículas que possam transferir ou reter calor.

Segundo Adam, a temperatura média do universo gira em torno de −270 °C, valor associado à radiação de fundo do Big Bang, presente em todos os cantos do cosmos.

“Esse frio não vem de partículas, mas da própria radiação ambiente, que permeia o espaço. O vazio do universo impede a troca de calor, e essa ausência também faz com que o espaço pareça tão gelado”, detalha o professor.

Temperaturas variam conforme a distância do Sol

Embora o espaço seja majoritariamente frio, a temperatura não é a mesma em todos os lugares. Ela varia de acordo com a distância até o Sol ou outra fonte de energia.

“Estrelas, por definição, têm temperaturas elevadas. Já os planetas apresentam temperaturas que diminuem com o aumento da distância da estrela. Mais perto, mais quente. Mais longe, mais frio”, afirma Leonês.

Essa diferença explica, por exemplo, por que Mercúrio é escaldante e Netuno, congelante, embora ambos façam parte do mesmo Sistema Solar.

A energia solar que atinge um planeta também se dispersa com a distância. Isso ocorre porque a radiação segue a chamada “Lei do inverso do quadrado da distância”, segundo a qual, quanto mais longe do Sol, menor é a intensidade da energia recebida.

Roupas especiais protegem astronautas

Diante dessas condições extremas, os trajes espaciais usados por astronautas funcionam como um escudo completo. Eles ajudam a manter a temperatura do corpo estável e ainda protegem contra a radiação solar e cósmica.

“No espaço, só existe radiação como via de calor. Os trajes refletem boa parte da radiação solar com camadas metalizadas e isolam o corpo com espumas e micromantas. Também funcionam como barreiras contra partículas perigosas que circulam pelo universo”, complementa Adam.

As agências espaciais, como a Nasa, monitoram a atividade do Sol antes de cada missão para evitar exposições durante tempestades solares, que aumentam os riscos à saúde. A exposição à radiação intensa pode causar desde náuseas até mutações no DNA.

Assim, mesmo que o Sol emita energia suficiente para aquecer a Terra, ele não aquece o espaço em si. Sem ar, água ou matéria para reter o calor, o que predomina no universo é o vazio e o frio quase absoluto.

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