Dando choque em tudo? Roupas e objetos podem evitar eletricidade estática
A maioria dos choques provocados pela transferência de elétrons não causa riscos consideráveis à saúde, exceto em casos extremamente raros

Você já tocou em algo ou alguém e sentiu um choque? Isso não quer dizer que você está virando o famoso personagem de desenhos animados Super-Choque, mas sim que há uma quantidade maior de eletricidade estática em nosso corpo ou em determinado objeto. Esse fenômeno se chama choque estático.
Para entender o fenômeno, é necessário ter um conhecimento prévio: os objetos são eletricamente neutros, tendo aproximadamente o mesmo número de prótons e elétrons. No entanto, essa quantidade pode mudar em algumas circunstâncias.
Em situações de atrito, contato ou separação entre materiais distintos, pode ocorrer a transferência de elétrons de uma superfície para outra, deixando um dos objetos com excesso da partícula. A carga fica acumulada até entrar em contato com um corpo em uma condição elétrica diferente.
“A diferença de potencial faz os elétrons se redistribuírem rapidamente. Quando essa transferência envolve o nosso corpo, percebemos um pequeno choque, que pode ser doloroso dependendo da intensidade e da região atingida”, explica a professora Valentina Martelli, do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP).
A maioria dos choques provocados pela transferência de elétrons não causa riscos consideráveis à saúde, exceto em casos extremamente raros. Porém, o fenômeno pode gerar faíscas capazes de incendiar gases inflamáveis, como a gasolina.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles“Por isso, locais onde há quantidades significativas de gases inflamáveis expostos devem ter um ambiente de trabalho adaptado e fornecer EPIs para impedir o acúmulo de cargas”, conta o físico Pedro Alvarez, doutorando na Universidade de Oldenburg, na Alemanha.
Objetos, materiais e situações que mais favorecem o choque
Curiosamente, alguns materiais ou objetos têm uma tendência maior a acumular carga e, consequentemente, gerar choques ao serem tocados. Entre os principais, estão:
- Camisas de poliéster, especialmente por ser um tecido derivado do petróleo e por absorver menos água, funcionando como um isolante elétrico;
- Climas secos tendem a permitir um acúmulo de cargas maior;
- Pisos de granito ou carpetes, o último acumula mais eletricidade porque seus fios sintéticos geram atrito facilmente com os sapatos;
- Tênis de corrida com solas emborrachadas mais grossas são capazes de isolar a pessoa do chão.
“Pisos concretados ou emborrachados não costumam acumular cargas, e a terra em si também não acumula”, ressalta Alvarez.
É possível evitar dar choque nas pessoas?
Caso você não esteja em um ambiente repleto de fontes inflamáveis, o risco de tomar um choque leve e rápido é praticamente nulo. Na verdade, eles são muito mais inconvenientes do que perigosos.
Mas existe uma forma de diminuí-los: ao encostar com certa frequência em objetos aterrados, como paredes, ou em condutores, como prata, ouro ou água com sal, você ajuda a descarregar a energia acumulada.
“Se você quer evitar os choques, muitos amaciantes de roupa têm produtos que previnem o acúmulo de cargas”, recomenda o físico.
Ainda de acordo com Valentina, compreender como a eletricidade funciona é importante para evitar incômodos ou até acidentes. “Entender a eletricidade ajuda a distinguir os choques estáticos inofensivos dos riscos associados a tomadas, equipamentos e linhas de energia”, destaca a cientista apoiada pelo Instituto Serrapilheira.



