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Ciência

Cubos de urânio revelam por que o reator de Hitler nunca funcionou

Um dos cubos de urânio utilizados no reator da Alemanha Nazista foi encontrado anos depois na gaveta de um escritório

13/10/2026 12:22, atualizado 13/10/2026 12:33
Unsplash
Imagem colorida de um reator nuclear - Metrópoles

Em 1945, a Alemanha Nazista, comandada por Hitler, tentou construir seu último reator nuclear experimental, o B8. O objetivo dos nazistas era utilizá-lo para alcançar a criticalidade – uma reação em cadeia autossustentável –, o que poderia ajudar a acelerar a construção de uma bomba atômica. No entanto, o desejo passou longe de se concretizar.

Quem afirma isso é um novo estudo que analisou dois cubos de urânio utilizados no reator nazista. Curiosamente, um dos cubos foi encontrado em 2013 na gaveta de um escritório na Universidade de Maryland, nos EUA, enquanto o outro acabou localizado em um arquivo em 2011. Os resultados da pesquisa foram publicados na revista PNAS Nexus no final de setembro.

No trabalho, os cientistas descobriram a porosidade interna dos cubos por meio da densidade deles. Juntando os registros históricos da quantidade de água pesada (uma variação da água comum) e grafite presentes no reator, os pesquisadores fizeram um modelo com medidas de nêutrons semelhantes às que existiam originalmente no B8.

Segundo os resultados, havia limites claros para que o reator não funcionasse da maneira adequada. O primeiro tinha ligação com o número de nêutrons gerados por uma fissão (método no qual um reator funciona) – para dar certo, deveriam ser gerados 100, mas o B8 gerava 94.

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Os pesquisadores afirmam que o problema até poderia ser superado se os idealizadores tivessem o dobro da quantidade de urânio e 2,2 vezes mais água pesada. Porém, à época, a água pesada era escassa na Europa – para se ter uma ideia, o reator precisaria de mais de 3 toneladas para funcionar, e a Alemanha tinha em sua posse somente 1,8 tonelada.

A questão também poderia ser resolvida com o uso de grafite para substituir a água pesada, mas o material alemão era mais impuro. Para construir seu primeiro reator, os Estados Unidos utilizaram grafite, porém o deles tinha outra composição, sendo mais purificado.

Em um artigo publicado na revista Nature em 1947, o físico alemão que liderou o programa nuclear alemão à época, Werner Heisenberg, defendeu que o reator dos nazistas quase funcionou. No entanto, as evidências atuais demonstram o contrário.