Astrônomos explicam como é possível prever eclipses com antecedência

Além de saber quando vão ocorrer os eclipses, astrônomos conseguem calcular as regiões que verão o fenômeno de forma completa ou parcial

atualizado

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George Pachantouris via Getty Images
Imagem colorida mostra eclipse solar anular - Metrópoles
1 de 1 Imagem colorida mostra eclipse solar anular - Metrópoles - Foto: George Pachantouris via Getty Images

Seja lunar ou solar, a ocorrência de eclipses sempre é um espetáculo à parte nos céus terrestres. Em 2026, já fomos presenteados com um “anel de fogo” (eclipse solar) e uma Lua de sangue (eclipse lunar). Mas se engana quem pensa que a temporada de fenômenos astronômicos já acabou. No Brasil, mais dois acontecerão ainda este ano, mas vários outros estão previstos para 2027. Entre eles estão:

  • um eclipse solar parcial em 12 de agosto de 2026;
  • um eclipse lunar parcial em 28 de agosto de 2026;
  • um eclipse solar anular em 6 de fevereiro de 2027;
  • um eclipse lunar penumbral em 20 de fevereiro de 2027;
  • um eclipse solar parcial em 2 de agosto de 2027;
  • um eclipse lunar penumbral em 17 de agosto de 2027.

Mas a dúvida que paira no ar é: como os especialistas conseguem prever a ocorrência de eclipses com tanta antecedência?

Segundo astrônomos entrevistados pelo Metrópoles, não se trata de um presságio aleatório, mas sim de análises baseadas em leis físicas – como da relatividade geral, proposta por Albert Einstein – cálculos e dados observacionais históricos.

“Para prever eclipses, é preciso conhecer principalmente a posição da Terra e da Lua, além do Sol, cujo movimento é mais lento em relação a essa geometria. As órbitas da Terra e da Lua são conhecidas com bastante precisão há muitos anos. Por isso, prever eclipses não é algo particularmente difícil”, explica a astrônoma Josina Nascimento, do Observatório Nacional, instituto científico vinculado ao Ministério da Ciência.

O astrônomo Thiago Gonçalves afirma que todos os cálculos realizados para a definição da data são realizados em computadores, mas não é preciso um modelo extremamente avançado para realizar a tarefa.

“Prever eclipses não exige supercomputadores. As equações envolvidas são relativamente simples em comparação com outros problemas da astrofísica, e podem ser resolvidas até mesmo em um computador pessoal ou em um laptop comum”, diz o diretor do Observatório do Valongo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Como é calculado onde o eclipse será visível

Além do cálculo de quando irá ocorrer, os astrônomos conseguem determinar onde o fenômeno acontecerá de forma completa, parcial ou se não atingirá certa região. Gonçalves explica que para um eclipse existir precisa haver um alinhamento entre a Terra, a Lua e o Sol.

Assim que detectado o perfilamento, o sombreamento da Lua que vai atingir na Terra é determinado através de cálculos utilizados para descrever as órbitas dos corpos celestes.

“Uma analogia simples é imaginar que alguém está na sua frente bloqueando sua visão de um objeto. Se você dá um pequeno passo para o lado, passa a ver parte do objeto novamente. Da mesma forma, na superfície da Terra, basta estar um pouco fora dessa faixa para que o eclipse seja apenas parcial”, exemplifica Gonçalves, que é pesquisador apoiado pelo Instituto Serrapilheira.

Por que não ocorrem eclipses todos os meses?

A resposta tem ligação com a posição das órbitas da Terra, Sol e Lua. Elas não ficam perfeitamente alinhadas sempre. Caso contrário, Josina diz que teríamos eclipses todos os meses, com os solares ocorrendo em toda Lua nova e os lunares em toda Lua cheia.

“A órbita da Lua é inclinada cerca de 5 graus em relação ao plano da órbita terrestre, chamado de eclíptica. Por isso, na maioria das vezes, a Lua passa um pouco acima ou abaixo do alinhamento necessário para que a sombra atinja a Terra ou para que a Lua entre na sombra terrestre”, explica a especialista do Observatório Nacional.

Importância dos eclipses

A previsão de eclipses vai muito além do campo astronômico. Ao determinar quando ocorrerá um fenômeno astronômico e divulgá-lo, os pesquisadores têm a oportunidade de aproximar o público geral de uma área pouco reconhecida e, por vezes, classificada como complicada.

No passado, foi através de um eclipse solar ocorrido em 1919 que os cientistas conseguiram testar e confirmar as previsões da relatividade geral de Einstein, por meio da observação da curvatura das luzes estelares próximas ao Sol. Atualmente, eles ainda geram oportunidades de conhecimento aos astrônomos.

Imagem colorida mostra pesquisadores brancos conversando - Metrópoles
A previsão de eclipses vem através de cálculos, teorias da física e dados observacionais
“Os eclipses oferecem oportunidades únicas, como a observação da coroa solar, a camada mais externa da atmosfera do Sol. Normalmente, essa região é difícil de estudar porque o brilho do Sol ofusca os instrumentos. Durante um eclipse total, a Lua bloqueia essa luz intensa, permitindo observar a coroa com mais detalhes”, diz Gonçalves.

Em meio a eclipses, também são realizados estudos sobre o aquecimento e resfriamento da superfície terrestre e o comportamento de plantas e animais diante da mudança de luminosidade. Os resultados ajudam a revelar aspectos  e padrões até então desconhecidos.

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