Cientistas coletam rochas no fundo do oceano que pegam fogo sozinhas
Amostras do Pacífico pegaram fogo após serem secas e trituradas no laboratório; reação elevou a temperatura para mais de 100 graus

Rochas coletadas nas profundezas do oceano Pacífico pegaram fogo espontaneamente durante a preparação para análises em laboratório. O episódio ocorreu com duas amostras retiradas do fundo do mar em 2022, que atingiram temperaturas superiores a 100°C e tiveram os minerais originais completamente oxidados, ou seja, transformados pela reação com o oxigênio.
A descoberta foi descrita em um estudo publicado em 28 de setembro na revista Scientific Reports, liderado pela oceanógrafa Amy Gartman, do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). Os pesquisadores identificaram características minerais que ajudam a explicar por que aquelas rochas se aqueceram até entrar em combustão.
Da coleta no oceano ao fogo no laboratório
As amostras vieram de Escanaba Trough, uma região submarina próxima à divisa entre os estados americanos de Oregon e Califórnia. No local, a atividade de fontes hidrotermais, que liberam água aquecida pelo interior da Terra, formou depósitos ricos em metais, como cobre, zinco e ferro.
Com um veículo operado remotamente, a equipe recolheu 57 amostras de rochas em quatro áreas. A combustão aconteceu depois que os materiais passaram pela liofilização, um processo de secagem por congelamento, e pela trituração no laboratório.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesPor que as rochas se aqueceram sozinhas?
As rochas que queimaram eram compostas principalmente de marcassita, um mineral formado por ferro e enxofre. Nas duas amostras, a marcassita apresentava cristais extremamente pequenos e havia se formado a partir da transformação de outro mineral, a pirrotita.
Os pesquisadores verificaram que o material transformado era menos estável do que o mineral que lhe deu origem. Também constataram que as reações de oxidação dos sulfetos metálicos liberam mais calor quando o oxigênio participa do processo. A combinação ajuda a explicar o aquecimento espontâneo observado.
O que a descoberta significa para a mineração
O episódio revelou um risco que precisa ser considerado na exploração de depósitos minerais submarinos. A secagem, a trituração e a exposição ao ar podem favorecer reações capazes de gerar calor e provocar incêndios durante o processamento das rochas.
A conclusão do estudo é que a composição e a estrutura dos depósitos encontrados nos oceanos atuais podem favorecer o aquecimento espontâneo em comparação com depósitos antigos equivalentes. Conhecer aquelas características é, portanto, relevante para avaliar a segurança de uma eventual mineração no fundo do mar.
