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Ciência

Quer ser cientista? Carreira exige curiosidade, paciência e parceria

Pesquisadores explicam como é a formação de um cientista, quais habilidades fazem diferença e os desafios de quem escolhe essa profissão

27/07/2026 02:00
Arte/Metrópoles
Ilustração da evolução de uma carreira cientifica/acadêmica. Metrópoles

Descobertas que levam a novos medicamentos, tecnologias, vacinas e soluções para problemas da sociedade começam muito antes dos resultados chegarem ao público. Por trás desse trabalho está a carreira científica, construída ao longo de anos de formação, pesquisa e colaboração.

Segundo o pesquisador Roger Borges, professor de Engenharia Biomédica do Ensino Einstein, a formação costuma começar ainda na graduação, com a iniciação científica.

“Nessa etapa, o estudante aprende o método científico, a escrita científica e participa do desenvolvimento de um projeto. Nem toda pesquisa acontece em laboratório. Ela também pode ser computacional ou teórica”, explica.

Depois da graduação, o pesquisador pode seguir para o mestrado, doutorado e, posteriormente, para o pós-doutorado. Ao longo desse percurso, cresce também o nível de responsabilidade e de autonomia na produção de conhecimento.

Borges explica que o mestrado certifica que o profissional domina o método científico, enquanto o doutorado demonstra a capacidade de produzir conhecimento inédito e contribuir com novas descobertas para a ciência.

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Da pesquisa ao ensino

Embora muitas pessoas associem a profissão apenas aos laboratórios, o trabalho de um pesquisador é bastante diversificado. Valéria Spolon Marangoni, coordenadora de Pesquisa e Laboratórios da Ilum Escola de Ciência do CNPEM, explica que a rotina envolve elaborar projetos, buscar financiamento, planejar pesquisas, analisar dados, publicar artigos científicos e participar de congressos.

Além disso, muitos pesquisadores orientam estudantes, ministram aulas e desenvolvem projetos em parceria com universidades, empresas e instituições públicas.

“A ciência é cada vez mais colaborativa e interdisciplinar, exigindo interação constante com profissionais de diferentes áreas do conhecimento”, afirma.

Segundo ela, o objetivo da carreira científica é produzir novos conhecimentos e encontrar respostas para perguntas que ainda não foram solucionadas.

Colaboração faz parte da ciência

A troca de conhecimento entre pesquisadores é uma das características mais importantes da atividade científica. Para Borges, essa colaboração pode acontecer tanto entre grupos brasileiros quanto internacionais.

“Quando passamos por instituições no exterior, muitas vezes aprendemos novas técnicas e depois as aplicamos aqui. Mas essa troca acontece nos dois sentidos. O Brasil possui diversos grupos reconhecidos internacionalmente e capazes de produzir ciência de excelência”, afirma.

Segundo o pesquisador, períodos de formação em outros países ajudam a criar redes de colaboração, mas não são uma condição para construir uma carreira de destaque. “A internacionalização complementa a formação, mas sua ausência não diminui um pesquisador”, diz.

Quem pode seguir essa profissão?

Ao contrário da imagem de que a ciência é reservada para pessoas com inteligência excepcional, os especialistas afirmam que outras características têm peso muito maior ao longo da carreira. Para Borges, curiosidade, disciplina, organização, capacidade de ouvir e resiliência estão entre as competências mais importantes.

“A curiosidade leva o estudante a fazer perguntas. Gostar de estudar permite compreender essas perguntas e buscar respostas”, afirma.

Valéria acrescenta que a ciência moderna é construída por equipes e que a capacidade de trabalhar de forma colaborativa se tornou indispensável. “Problemas como mudanças climáticas, transição energética e desafios na saúde exigem integração entre diferentes áreas do conhecimento”, explica.

Ela destaca ainda que persistência, disposição para aprender continuamente e capacidade de lidar com erros e resultados inesperados fazem parte da rotina de qualquer pesquisador.

Desafios da formação

A carreira científica exige dedicação de longo prazo. Considerando graduação, mestrado, doutorado e pós-doutorado, a formação pode levar cerca de dez a doze anos.

Um dos primeiros desafios aparece ainda durante a graduação. “Quem faz pesquisa precisa aprender a lidar com experimentos que não dão certo e com resultados inesperados. Isso faz parte da produção científica”, afirma Borges.

Mais adiante, durante a pós-graduação, surgem outros obstáculos. Segundo o pesquisador, o principal desafio costuma ser econômico. “Muitos pesquisadores precisam dedicar-se integralmente ao mestrado, doutorado e pós-doutorado, dependendo de bolsas de pesquisa durante esse período”, aponta.

Apesar disso, Borges afirma que a formação tende a trazer retorno profissional ao longo do tempo, especialmente em áreas como saúde, biotecnologia, indústria, agricultura, energia e inovação.

“Construir uma carreira científica exige planejamento e uma visão de longo prazo. É um caminho que demanda dedicação, mas também oferece a oportunidade de contribuir para o desenvolvimento de novos conhecimentos e soluções para a sociedade”, conclui.