Barbatanas encontradas mastigadas indicam canibalismo entre orcas
De acordo com o novo estudo, a subespécie das orcas atacadas formam grupos grandes para se proteger dos ataques de outras orcas
atualizado
Compartilhar notícia

O encontro de duas barbatanas mastigadas ao longo da costa da Rússia indicam que as orcas praticam canibalismo ocasionalmente. De acordo com os pesquisadores, as análises dos pedaços mordidos mostram que eles pertencem às orcas residentes (Orcinus orca ater) e apontam que as lesões foram feitas por exemplares de orcas de Bigg (Orcinus orca rectipinnus).
Ambas as subespécies habitam áreas semelhantes no Oceano Pacífico Norte, mas apresentam diferentes hábitos: as residentes vivem em grandes grupos e tem a alimentação baseada em peixes, já as de Bigg são transitórias, nadam com menos membros ao lado e tem como presa outros mamíferos como golfinhos, focas e até baleias.
Para os cientistas, as orcas residentes vivem com vários membros ao redor justamente para se proteger das predações das orcas de Bigg.
As descobertas lideradas pela pesquisadora Olga Filatova, da Universidade do Sul da Dinamarca, foram publicadas na revista Marine Mammal Science no início de fevereiro.
Canibalismo entre orcas
Anteriormente, era consenso que, apesar de viver na mesma área, as duas espécies se evitavam. A investigação da equipe de Olga só teve início quando foram encontradas duas barbatanas de orca com marcas de dentes na costa russa, uma em 2022 e outra em 2024.
“Imediatamente pensamos que orcas de Bigg, predadoras de mamíferos, tivessem matado aquilo”, diz Olga em entrevista ao portal Live Science. Análises posteriores apontaram que os pedaços pertenciam às orcas residentes.
A descoberta aumentou as evidências de canibalismo na espécie. Apesar da detecção, os cientistas acreditam ser um comportamento não muito comum. Porém, eles sugerem que os grupos familiares grandes de orcas residentes são formados para se precaver de qualquer ataque de predadores, incluindo o das orcas de Bigg.
Ainda há a possibilidade das de Bigg não terem atacado um exemplar vivo e sim se alimentado da carcaça do animal já morto, visto que é um comportamento comum entre a espécie. O encontro de novos pedaços mastigados ou o registro direto do ataque poderão trazer mais detalhes sobre a tese defendida pelos pesquisadores.
