Pesquisadores detectam cafeína e cocaína em sangue de tubarões
Segundo os pesquisadores, o contato dos tubarões com substâncias inexistentes nos oceanos vem da poluição marinha causada por humanos
atualizado
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Ao analisar amostras de sangue de tubarões das Bahamas, pesquisadores detectaram a presença de substâncias incomuns, incluindo cafeína, componentes anti-inflamatórios, como diclofenaco e paracetamol, e até cocaína. Os especialistas ressaltam que a contaminação é resultado da poluição marinha causada pelos humanos.
Os animais investigados estavam próximos a Ilha Eleuthera. De acordo com o novo estudo, o contato dos tubarões e outros bichos marinhos com as substâncias pode causar problemas fisiológicos, como insuficiência renal, hiperglicemia e mudanças no metabolismo lipídico.
“Este é o primeiro relato sobre contaminantes emergentes (CECs) e possíveis respostas fisiológicas associadas em tubarões das Bahamas, apontando para a necessidade urgente de abordar a poluição marinha em ecossistemas frequentemente considerados intocados”, alertam os autores no artigo.
O trabalho foi liderado pela pesquisadora brasileira Natascha Wosnick, da Universidade Federal do Paraná, em parceria com cientistas internacionais. Os resultados foram publicados na revista Environmental Pollution em meados de fevereiro.
Cocaína e cafeína presente no sangue dos tubarões
Foram coletadas amostras de sangue de 85 tubarões de cinco espécies distintas. De acordo com os resultados, um terço dos animais apresentaram resultado positivo para substâncias anti-inflamatórias, como diclofenaco e paracetamol, e cafeína. Um dos bichos testou positivo para cocaína.
Em entrevista ao portal Science News, Natascha afirma que a contaminação dos tubarões tem participação humana direta.
“Estamos falando de uma ilha muito remota nas Bahamas. O problema é que as pessoas vão lá, urinam na água e despejam seus dejetos na água”, diz a pesquisadora.
Além do aumento da presença de turistas, o número de casas de férias na região também cresceu. Os autores alertam que ambos fatores podem alterar a complexidade química das águas locais, o que torna primordial investigar como o sistema fisiológico dos animais responderão às mudanças.
“[A investigação] é fundamental não apenas para salvaguardar um componente ecológico essencial dos ecossistemas costeiros, mas também para preservar os benefícios sociais e econômicos que eles proporcionam”, concluem os pesquisadores.
