Beija-flores consomem álcool durante polinização, aponta novo estudo
Apesar da detecção de níveis de álcool em amostras de néctar, pesquisadores afirmam que os beija-flores não ficam embriagados com o consumo
atualizado
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Através da polinização, os beija-flores são um dos principais agentes para a reprodução das plantas e a produção de alimentos. No entanto, ao realizar o processo, além de consumir pólen e néctar, os animais podem ingerir pequenas quantidades de álcool.
Ao analisar amostras de néctar, na maioria delas, os pesquisadores encontraram apenas traços alcoólicos, mas em uma foi detectado um nível maior, contendo 0,056% de etanol em peso.
Apesar de parecer pouco, os polinizadores consomem bastante néctar diariamente. No caso dos beija-flores, eles ingerem entre 50% e 150% do seu peso corporal do líquido açucarado por dia.
Por exemplo, com base nos hábitos alimentares do beija-flor-de-anna (Calypte anna), uma espécie comum ao longo da costa do Pacífico, ele consome cerca de 0,2 gramas de etanol por quilograma de peso corporal por dia. Esse nível de ingestão pode ser comparado a uma dose de bebida alcoólica consumida por um ser humano.
A descoberta liderada por biólogos da Universidade da Califórnia, Berkeley, nos Estados Unidos, teve os resultados publicados na revista Royal Society Open Science nessa quarta-feira (25/3).
Adaptação dos beija-flores ao álcool
O achado é curioso, mas a grande questão que fica é: o álcool pode deixar os animais bêbados? A resposta é não. De acordo com os pesquisadores, mesmo com a ingestão regular, os bichos polinizadores consomem o álcool gradualmente, o que impede que eles apresentem sinais de embriaguez.
“Os beija-flores são como pequenas fornalhas. Eles queimam tudo muito rápido, então não se espera que nada se acumule em sua corrente sanguínea. Mas não sabemos que tipo de sinalização ou propriedades apetitivas o álcool possui. Há outras coisas que o etanol pode estar fazendo além de criar um efeito estimulante, como acontece com os humanos”, explica um dos autores do estudo, Aleksey Maro, em comunicado.
Um estudo anterior também já havia descoberto que as próprias aves têm aversão a líquidos açucarados com concentrações de álcool maiores que 1%. Ao perceber a quantidade maior, elas passam a evitá-los.
O novo achado faz parte de um projeto que tem objetivo de coletar dados genéticos de beija-flores e outros pássaros para analisar mais a fundo como eles se adaptam a ambientes e fontes de alimentos distintos.
“Esses estudos sugerem que pode haver uma ampla gama de adaptações fisiológicas em todo o reino animal à presença ubíqua do etanol na dieta, e que as respostas que observamos em humanos podem não ser representativas de todos os primatas ou de todos os animais em geral. Talvez existam outras vias fisiológicas de desintoxicação ou outros tipos de efeitos nutricionais do etanol para animais que o consomem diariamente”, avalia um dos autores do artigo, Robert Dudley.
