Banheira de purificação é encontrada sob o Muro das Lamentações
Estrutura encontrada sob o Muro das Lamentações, em Jerusalém, servia para purificar judeus e peregrinos em busca de recuperação espiritual
atualizado
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Pesquisadores da Autoridade de Antiguidades de Israel (IAA, na sigla em inglês) encontraram um mikveh, uma estrutura utilizada para banhos de purificação datada de 70 d.C., no final de dezembro. A descoberta ocorreu sob a praça do Muro das Lamentações, por meio de escavações realizadas em Jerusalém.
De formato retangular, o mikveh tinha dimensões consideráveis: 3,05 m de comprimento, 1,35 de largura e 1,85 de altura, escavado dentro da rocha e com paredes rebocadas. No judaísmo, as pessoas imergiam o corpo totalmente na água presente na estrutura, em busca da recuperação espiritual após alguma impurezas. Os banhos serviam tanto para judeus quanto para peregrinos visitantes da região.
“Deve-se lembrar que Jerusalém era uma cidade de santuário. Como tal, muitos aspectos da vida cotidiana foram adaptados a esse fato, e isso se expressa, em particular, na extrema rigidez dos moradores da cidade e da região circundante em relação às leis de impureza e pureza. É por isso que o ditado ‘a pureza irrompeu em Israel’ foi criado”, explica o diretor da escavação da IAA, Ari Levy, em comunicado.
A banheira estava selada e foi identificada próxima ao Segundo Templo de Jerusalém e suas duas entradas principais: a Grande Ponte, ao norte, e o Arco de Robinson, ao sul. Fragmentos de cinza evidenciaram marcas da destruição do local pelos romanos, ocorrida em 70 d.C. e comandada pelo general Tito.
Segundo comunicado da IAA, por lá também havia diversos vasos de cerâmica e ferramentas de pedra típicas da população judaica residentes da cidade antes da invasão.
De acordo com os responsáveis pela descoberta, o encontro da banheira mostra a importância de continuar investigando arqueologicamente Jerusalém em busca de novos achados que desvendem cada vez mais a história judaica.
“A descoberta de um banho de purificação e as cinzas da destruição são mil testemunhos da capacidade do povo judeu de emergir da impureza para a pureza, da destruição para a ressurreição”, exalta o diretor geral da Fundação do Patrimônio do Muro das Lamentações, Mordechai Eliav.
