Arte rupestre mais antiga do mundo é achada em caverna na Indonésia
Idade da arte rupestre achada na Indonésia supera outra da Espanha em 1,1 mil anos. Novos estudos determinarão os responsáveis pelo desenho
atualizado
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Em expedição realizada nas ilhas indonésias, pesquisadores acharam um desenho do contorno de uma mão datado de ao menos 67,8 mil anos. Estima-se que o estêncil – nome dado a esse tipo pintura – seja a arte rupestre mais antiga já encontrada no mundo.
Para os pesquisadores, o desenho provavelmente foi realizado por humanos primitivos residentes de Sahul, um continente que existiu no passado e que se separou com o tempo, virando os territórios da Austrália, Papua Nova Guiné e algumas partes da Indonésia.
A descoberta da arte foi liderada pelo pesquisador Maxime Aubert, arqueólogo e geoquímico da Universidade Griffith, na Austrália. Além do especialista, o trabalho contou com a participação de uma equipe com mais de 30 cientistas. Os resultados estão disponíveis desde quarta-feira (21/1) na revista Nature.
Não foi possível determinar qual foi a técnica utilizada para realizar o desenho, mas sabe-se que foi usado um pigmento vermelho para fazer contorno da mão. No local também foram encontradas outras pinturas, como a retratação de seres metade humano e metade animal caçando um javali.
O achado da arte rupestre mais antiga
A equipe de pesquisa investigou 44 sítios arqueológicos na porção sudeste de Sulawesi e conseguiu datar com precisão 11 amostras de arte rupestre, sendo sete desenhos de contorno de mão – os estênceis foram uma das formas mais difundidas das pinturas rupestres à época.
O exemplar de 67,8 mil anos foi identificado na caverna de Metanduno, na ilha de Muna. Por lá, também foram encontradas gravuras pintadas de animais, como porcos, cavalos e veados – estas foram datadas entre 3,5 mil e 4 mil anos, ou seja, bem mais jovens que o estêncil de mão.

Para determinar ao menos a idade mínima das artes, foi feita a análise dos componentes químicos presentes sobre as pinturas. Os resultados mostraram que o desenho superou em 1,1 mil anos um estêncil de mão achado na Espanha, considerado o mais antigo anteriomente.
“A idade mínima do estêncil de mão de Muna excede o tempo do da Espanha, que é atribuído a neandertais e até então representava a restrição de idade mínima mais antiga demonstrada para arte rupestre em todo o mundo”, afirmam os autores no artigo.
Desdobramentos da descoberta
Além de passar a ser considerada a arte rupestre mais antiga do mundo, o estêncil de mão também pode ajudar a responder quando os primeiros humanos chegaram a Sahul, uma questão que ainda gera debates entre historiadores.
Enquanto alguns especialistas apontam que a ocupação aconteceu há cerca de 50 mil anos, outros dizem ter ocorrido há pelo menos 65 mil – hipótese defendida pelos cientistas do novo estudo.
“A presença dessa arte extremamente antiga na Indonésia sugere que o povoamento inicial de Sahul envolveu viagens marítimas entre Bornéu e Papua, uma região que permanece pouco explorada do ponto de vista arqueológico”, dizem os autores.
A nova descoberta pode ser vista como evidência para a realização de estudos sobre a ocupação de Sahul. Também há a expectativa que trabalhos futuros determinem se a arte encontrada foi feita por Homo Sapiens ou até por denisovanos, um parente nosso muito antigo.
