Físicos transportam antimatéria em caminhão de forma inédita. Entenda

O transporte de antimatéria é uma atividade complicada, pois qualquer interação da substância com a matéria comum a faz desaparecer

atualizado

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CERN / Equipe de Produção Multimídia; Melanie Arnold; Maximilien Brice
Imagem colorida mostra caminhão levando antimatéria - Metrópoles
1 de 1 Imagem colorida mostra caminhão levando antimatéria - Metrópoles - Foto: CERN / Equipe de Produção Multimídia; Melanie Arnold; Maximilien Brice

Pela primeira vez, físicos conseguiram transportar partes fundamentais de antimatéria usando um caminhão. Considerada uma das substâncias científicas mais frágeis, o sucesso do experimento aumenta as chances dos especialistas conseguirem estudá-la com maior detalhe e compreender o mistério por trás da composição do Universo.

Apesar de diferente da matéria comum, a antimatéria é um como se fosse a “irmã” dela. Ela é composta por antipartículas com massa igual às partículas normais, porém com cargas opostas.

Teorias atuais indicam que, quando o Big Bang ocorreu, foram produzidas quantidades idênticas de matéria e antimatéria. Se estiverem realmente corretas, a interação de ambas geraria uma aniquilação e tornaria o Universo escuro e vazio. No entanto, a realidade é totalmente oposta: a região universal é observável e composta predominantemente por matéria comum – o que intriga os cientistas.

Por isso, investigações sobre diferenças entre matéria e antimatéria são essenciais para desvendar o que está por trás do mistério. O fato da equipe conseguir transportar a substância ajuda a levá-la a lugares com menos interferências para medi-la e estudá-la.

O experimento que aproxima os físicos da resposta do mistério foi liderado por especialistas da Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear (Cern, na sigla em inglês), na Suíça. Os resultados foram publicados em comunicado divulgado em 24 de março.

Transporte inédito de antimatéria

A Cern fabrica antimatéria, porém o equipamento responsável pela produção cria pequenas flutuações magnéticas capazes de interferir nas medições da substância. Como solução, os físicos propõem que a transferência dela para locais mais estáveis auxiliaria as avaliações. 

No entanto, eles precisavam superar um obstáculo importante: o contato entre antimatéria e matéria comum destrói ambas e provoca uma explosão energética. Assim, os especialistas guardaram partículas da substância utilizando campos elétricos e magnéticos ajustados precisamente em um vácuo quase perfeito.

Para testar se a tecnologia funcionava, foram transportados 92 antiprótons, uma das partes fundamentais da antimatéria, na armadilha portátil em um caminhão. Durante o trajeto de cerca de 8 km ao redor do campus da Cern, as partículas ficaram estáveis mesmo com as vibrações e intercorrências da estrada.

Ainda são necessários mais avanços para começar a medir a antimatéria com mais precisão, mas o experimento demonstrou que o transporte é viável.

“Estamos no início de uma jornada científica empolgante que nos permitirá aprofundar ainda mais nossa compreensão da antimatéria”, afirma o diretor de pesquisa e computação da Cern, Gautier Hamel de Monchenault, em comunicado.

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