Romero Britto quebra silêncio sobre homenagem a Bolsonaro: "Gesto cívico"
Em 2020, artista plástico ganhou destaques nas manchetes ao presentear Jair Bolsonaro, então presidente, com um retrato especial

Romero Britto decidiu quebrar o silêncio sobre o encontro com Jair Bolsonaro em 2020, quando homenageou o então presidente da República com um quadro. As imagens do encontro, conforme recorda o artista plástico na autobiografia A Arte da Felicidade, lançada em agosto pela editora Citadel, “circularam pelo mundo”. “E as leituras – que não controlo nem pretendo controlar – multiplicaram-se”, conta o pintor, diz Britto no livro.
O encontro aconteceu durante agenda oficial do ex-presidente e da ex-1ª dama, Michele Bolsonaro, nos Estados Unidos, em 2019. A visita de Bolsonaro e da esposa ao ateliê seria um gesto cívico e apartidário segundo o artista, nomeado embaixador do turismo brasileiro pela Embratur.
“O quadro, por minha parte, era uma homenagem. Ainda assim, o que para mim foi um gesto cívico dirigido a um representante de uma nação logo passou a ser interpretado como alinhamento político”, lamentou Romero Britto.
“Arte é política, mas sem partido”
Ao comentar o episódio na obra, Romero Britto deixou claro que acredita na relação entre arte e política. Para o artista plástico, porém, a produção artística não deve estar limitada a um único posicionamento político ou partidário.
Para sustentar a ideia, o pintor relembrou as inúmeras personalidades que receberam obras suas ao longo dos últimos 20 anos. A lista inclui membros da realeza britânica, democratas e republicanos dos Estados Unidos, além de tucanos e petistas, como o presidente Lula e a ex-presidente Dilma Rousseff.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles“Anos antes [do encontro com Bolsonaro], em Brasília, entreguei pessoalmente à então presidente Dilma Rousseff uma pintura acrílica, toda no meu idioma de cores. Foi um gesto pessoal, alheio a qualquer campanha política. Tinha a ver com um marco histórico, não com um partido”, defendeu.

“Já pintei quadro para Luiz Inácio Lula da Silva, Fernando Henrique Cardoso, João Doria, Sérgio Cabral… Pintei inúmeros presidentes e outros políticos dos EUA… Costumo retratar o político eleito democraticamente pela maioria do povo, independentemente da ideologia. E sempre torço para que o eleito faça algo positivo para o povo”, acrescentou.



















