Morre Jomard Muniz de Britto, ícone do cinema pernambucano, aos 89 anos
Precursor do movimento tropicalista em Pernambuco, Jomard Muniz de Britto deixa um legado de mais de 30 obras no audiovisual

Jomard Muniz de Britto, precursor do movimento tropicalista pernambucano, morreu na madrugada desta segunda-feira (12/10), aos 89 anos. O escritor e cineasta estava internado na UTI de um hospital particular do Recife (PE).
Segundo a jornalista Terezinha Nunes, Britto enfrentava um quadro grave de infecção respiratória generalizada nos pulmões. Ele também lutava contra os sintomas da doença de Parkinson.
A Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe) compartilhou uma nota oficial lamentando a morte do cineasta e destacou a contribuição dele para a cultura pernambucana.
“Figura inquieta e transgressora, Jomard construiu uma obra marcada pela experimentação, pela liberdade criativa e pelo questionamento das convenções”, lamentou a Fundarpe. “Em 2025, parte dessa contribuição ganhou a tela do Cinema São Luiz, com a exibição de cinco de seus filmes em Super-8 digitalizados e restaurados, durante o festival Janela Internacional de Cinema do Recife”, recordou.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesO velório e o sepultamento de Jomard Muniz de Britto serão realizados nesta segunda-feira (12/10) na capela do Cemitério de Santo Amaro, no Recife (PE).
Quem foi Jomard Muniz de Britto
Considerado um dos precursores do tropicalismo em Pernambuco, Jomard Muniz de Britto foi um dos autores do Manifesto Tropicalista de 1968. Ele fez parte da chamada “Geração Super-8”, que durante as décadas de 1970 e 1980 marcou a produção cinematográfica experimental brasileira com uso do formato de filmes de 8 mm.
Entre as principais obras do cineasta pernambucano, estão os filmes O Palhaço Degolado e Inventário de um Feudalismo Cultural, em que afrontou a estética e as referências da cultura regional. Ao longo da carreira, publicou dez livros, escreveu peças de teatro e realizou mais de 30 filmes e vídeos.
Jomard Muniz de Britto também atuou como professor na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e na Universidade Federal da Paraíba (UFPB), mas foi destituído dos cargos devido à censura do regime militar.
Ele também foi escolhido secretário de Cultura da Prefeitura do Recife, escolhido por meio de uma eleição direta em 1985 realizada entre representantes e participantes da vida cultural da cidade. A Secretaria de Cultura e da Fundação de Cultura Cidade do Recife também exaltou a importância do cineasta em uma nota de pesar.
“[Jomard] dedicou-se com furioso ímpeto ao gozo e à reivindicação de suas liberdades e das liberdades coletivas e culturais de um povo inteiro: escreveu mais de dez livros, algumas peças de teatro e mais de 30 filmes e vídeos, abrindo caminhos culturais e contraculturais pelos quais seguiremos lutando.”






