Governo brasileiro não procurou defesa de Malévola após prisão no Egito
Advogado de Malévola Alves afirma que a defesa não recebeu contato do MRE durante o processo de soltura da influenciadora no Egito

Em entrevista ao Metrópoles na tarde desta quarta-feira (21/10), o advogado Jonatha Carvalho Matos, responsável pela defesa da influenciadora Malévola Alves, afirmou que não recebeu contato do Ministério das Relações Exteriores (MRE) durante as negociações para a liberação dela no Egito. A brasileira foi detida sob acusações relacionadas a vídeos publicados nas redes sociais, incluindo exibição pornográfica, insinuações sexuais e assédio.
Segundo o advogado, a equipe jurídica procurou o consulado brasileiro no Cairo na terça-feira (20/10), mas demorou a receber uma resposta. Na ocasião, foi informada de que representantes consulares iriam ao local de detenção na quarta-feira para obter mais informações. Nesta quarta, porém, ao entrar novamente em contato, a defesa recebeu a previsão de que a visita ocorreria apenas na quinta-feira (22/10).
“Tudo que a equipe jurídica conseguiu foi através das amigas que estavam lá e também da equipe jurídica que a gente fez um trabalho conjunto para conseguir tirar elas de lá, para conseguir essa liberdade pra elas”, declarou Jonatha ao Metrópoles.
Questionado sobre a informação do MRE de que acompanhava o caso desde a noite de terça-feira, o advogado ponderou que o ministério pode ter mantido contato diretamente com as autoridades egípcias, mas reforçou que não houve comunicação com a defesa.
Procurado pelo Metrópoles mais cedo, o MRE informou que acompanhava o caso por meio da Embaixada do Brasil no Cairo desde a noite de terça-feira (20/10).
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles“A Embaixada tem prestado assistência consular às nacionais e a seus familiares no Brasil, disponibilizando serviço de orientação jurídica e auxiliando na interlocução com as autoridades locais”, informou a pasta (veja a íntegra ao final da matéria).
Entenda o caso
Malévola Alves e Bruna Mercatelli foram presas no Egito na terça-feira (20/10), após a divulgação de vídeos nas redes sociais. Segundo o Ministério do Interior egípcio, as gravações mostram comportamentos de conotação sexual e assédio a pedestres em locais públicos.
As duas foram liberadas nesta quarta-feira (21/10), após o pagamento de fiança. A assessoria de Malévola revelou ao Metrópoles que o valor da fiança foi de 110 mil libras egípcias, o equivalente a aproximadamente R$ 10,1 mil.
Segundo uma postagem de uma amiga das influenciadoras, Larissa Maia, Malévola e Bruna embarcaram para o Brasil na tarde desta quarta.
Veja a nota na íntegra
“O Ministério das Relações Exteriores, por intermédio da Embaixada do Brasil no Cairo, acompanha o caso desde a noite do dia 20/10, quando foi acionado por meio do plantão consular no Egito. A Embaixada tem prestado assistência consular às nacionais e a seus familiares no Brasil, disponibilizando serviço de orientação jurídica e auxiliando na interlocução com as autoridades locais.
O atendimento consular prestado pelo estado brasileiro é feito a partir de contato do cidadão interessado ou, a depender do caso, de sua família. A atuação consular do Brasil pauta-se pela legislação internacional e nacional. Para conhecer as atribuições das repartições consulares do Brasil, recomenda-se consulta à seguinte seção do Portal Consular do Itamaraty: https://www.gov.br/mre/pt-br/assuntos/portal-consular/assistencia-consular
Em atendimento ao direito à privacidade e em observância ao disposto na Lei de Acesso à Informação e no decreto 7.724/2012, o Ministério das Relações Exteriores não divulga informações pessoais de cidadãos que requisitam serviços consulares e tampouco fornece detalhes sobre a assistência prestada a brasileiros.”
