Cristiana Oliveira relata abuso sofrido aos 10 anos: “Me agarrou”

A atriz desabafa sobre o terror que passou com um homem que julgava como sendo como um pai ou tio

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atualizado 19/01/2019 17:36

A atriz Cristiana Oliveira, 55 anos, relembrou, em entrevista para a revista Marie Claire, sobre um abuso sexual que sofreu quando tinha apenas 10 anos de idade. De acordo com a artista, um homem conhecido a agarrou na rua.

“Eu ia muito à praia, em Ipanema, na frente de casa, e tinha um senhor que fazia castelos de areia. Eu achava um máximo, sempre fui muito comunicativa, sagitariana e gostava muito dele. Era como se fosse um pai ou um tio. Até que um dia ele me agarrou, enfiou a língua na minha boca, começou a me agarrar e fiquei apavorada com aquilo”, conta.

Cristiana faz parte da triste estatística sobre violência contra a mulher. No Brasil, estima-se que a cada 1 segundo uma mulher é assediada. Este número não é exato por falta de denúncia. Muitas mulheres são desacreditadas na hora de relatar o abuso. E foi isso o que aconteceu com a atriz.

“Minha mãe viveu 70 anos com meu pai, o único homem dela, e viveu como uma rainha dentro de casa. Ela não sabia que isso poderia acontecer, seja um assédio ou uma pedofilia”, conta sobre como foi quando a informou sobre o ocorrido. De acordo com Cristiana, a mãe achou que ele tivesse sonhado com a violência sofrida.

Ela ainda completa sobre a importância da denúncia. “Temos de nos manifestar cada vez mais porque isso acontece todos os dias. Os índices de feminicídio e violência doméstica no Brasil são preocupantes. É muito importante ouvir uma mulher que sofre isso e tem coragem de falar. Graças a Deus que muitas mulheres tiveram suas vozes escutadas e outra vieram atrás. Isso é algo que existe há muito tempo, mas hoje temos a imprensa e a internet do nosso lado e podemos explanar, vendo cada vez mais mulheres saindo de suas tocas para se manifestarem”, desabafa.

Neste 2019, o Metrópoles inicia um projeto editorial para dar visibilidade às tragédias provocadas pela violência de gênero. As histórias de todas as vítimas de feminicídio do Distrito Federal serão contadas em perfis escritos por profissionais do sexo feminino (jornalistas, fotógrafas, artistas gráficas e cinegrafistas), com o propósito de aproximar as pessoas da trajetória de vida dessas mulheres.

O Elas por Elas propõe manter em pauta, durante todo o ano, o tema da violência contra a mulher para alertar a população e as autoridades sobre as graves consequências da cultura do machismo que persiste no país. Desde 1° de janeiro, um contador está em destaque na capa do portal para monitorar e ressaltar os casos de Maria da Penha registrados no DF. Mas nossa maior energia será despendida para humanizar as estatísticas frias, que dão uma dimensão da gravidade do problema, porém não alcançam o poder da empatia, o único capaz de interromper a indiferença diante dos pedidos de socorro de tantas brasileiras.

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