Chitãozinho e Xororó abrem o jogo sobre aposentadoria
Prontos para estrear um novo DVD, Chitãozinho e Xororó também avaliaram a influência que o sertanejo atual tem sobre o sertanejo raiz
atualizado
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Prestes a completar 56 anos de carreira, a aposentadoria não está nos planos de Chitãozinho e Xororó. Além da gravação do DVD Meninos de Roça, realizada no fim de semana passado, os sertanejos revelaram que ainda reservam novidades para o futuro.
“A gente não vai se aposentar. A gente pode tirar o pé, descansar um pouco, mas nós nascemos da música e a música já nasceu com a gente. Nós já nascemos com ela e ela nasceu de dentro da gente”, revelaram ao Metrópoles durante coletiva de imprensa.
Chitãozinho e Xororó admitiram que podem até trabalhar menos, curtir mais a vida, mas que nunca vão parar de cantar.
O projeto Meninos de Roça (leia mais abaixo) revisita as origens da dupla, com um show intimista gravado em Jaguariúna, no interior de São Paulo. A canção que dá nome ao DVD traduz, em versos, a história dos irmãos, a vida no campo e o incentivo do pai para que seguissem o sonho na música.
Os irmãos também avaliaram a influência que o sertanejo atual tem sobre o sertanejo raiz. “Eu acho que, no momento, o povo está um pouco saturado de coisas muito modernas, coisas dançantes, de festa, de bebida. Eu acho que o sertanejo raiz vai estar sempre no coração do público, na casa das pessoas, das famílias, e a gente sente que o público está com vontade de ouvir um pouco mais de modão”, disse Chitãozinho.
“Todas as nossas obras, mesmo quando a gente começou a inserir instrumentos eletrônicos e trazer um sertanejo com uma levada mais pop, quando a gente lançou Evidências, que foi uma explosão na época, a gente nunca deixou de gravar coisas de viola, coisas de sanfona, em nossos álbuns e projetos”, acrescentou Xororó.
Carreira de Chitãozinho e Xororó
Com 40 milhões de discos vendidos, 37 álbuns inéditos, onze DVDs, sete prêmios Grammy, centenas de discos de ouro, platina e diamante, programas de televisão e até uma homenagem da X-9 Paulistana que contou a história da dupla, os irmãos conquistaram muito mais do que o público brasileiro.
A dupla gravou o primeiro disco, Galopeira, em 1970, mas o sucesso veio oito anos depois com 60 Dias Apaixonados, que lhes rendeu o primeiro disco de ouro.
O reconhecimento do grande público aconteceu a partir de 1982 com a música Fio de Cabelo, que vendeu mais de 1,5 milhão de cópias. Ao longo da carreira, os irmãos criaram clássicos como Se Deus Me Ouvisse, Fogão de Lenha, No Rancho Fundo, Brincar de Ser Feliz, Página de Amigos e Alô, entre outros.
Entre 2022 e 2023, os artistas iniciaram as comemorações dos 50 anos de carreira, com uma turnê inédita e mundial, além de uma série de projetos que incluem livros, gibi e um quadro especial.
Meninos de Roça
O título do Meninos de Roça não é apenas um nome para a dupla: é uma volta no tempo, um reencontro com a essência, com a terra e com os sonhos plantados ainda na infância. A cenografia da gravação, inclusive, traduziu esse sentimento em imagem: um milharal ao fundo emoldurou o palco e transformou o cenário em memória viva.
Confira o cenário:
A cenografia evoca os versos da canção que dá nome ao projeto: “esses meninos de roça sonhavam que o milharal eram milhões de pessoas e o cabo da enxada era o pedestal”. Lá, a enxada virava microfone nas mãos de dois meninos sonhadores, enquanto o milharal se enchia de aplausos imaginados.
Hoje, ao olharem para trás, Chitãozinho & Xororó enxergam que o sonho floresceu. O que antes era imaginação ganhou corpo, voz e plateia. O milharal virou multidão, o improviso virou palco e aqueles meninos, que um dia sonharam tão grande, conquistaram um mundo que nem sabiam que existia.
A gravação contou com 19 faixas, com um repertório que misturou novidades e releituras, ganhando ainda mais força com as participações especiais de Vanessa da Mata, Almir Sater, Di Paullo e Paulino, Samy Rico, Matogrosso & Mathias, Mayck & Lyan, Rio Negro & Solimões e Traia Véia.














