Atriz compara fim de likes no Instagram com escravidão e causa revolta

A publicação foi feita nessa quarta-feira (17/07/2019). Nos comentários, muita gente apontando o quanto a analogia era incoerente

Reprodução/ InstagramReprodução/ Instagram

atualizado 18/07/2019 21:49

Você se sente escravo das redes sociais? Talvez esse tenha sido o questionamento que a atriz Ana Clara Paim quis levantar ao publicar um texto no qual comentava o fim dos likes no Instagram, nessa quarta-feira (17/07/2019). Porém, o paralelo infeliz usado por ela para se referir à sensação causou revolta na internet.

Em uma publicação na mesma rede a qual criticava, ela comparou a decisão da empresa de não mostrar mais as curtidas com o fim da escravidão, um dos períodos mais nefastos e violentos da história brasileira. A reação foi imediata.

Nos comentários, muita gente apontou o quanto a comparação era incoerente. “Observa um pouco quem te apoia nessa escolha e quem te dá um toque, mas se não quiser também, escreva sim apenas pra quem acha que o uso da palavra escravidão é ‘mimimi’, afinal são essas as únicas almas que você vai conseguir tocar com essa escolha irresponsável de palavras”, escreveu uma seguidora.

“Essa comparação foi muito muito muito infeliz. Não cabe, em nenhuma esfera, equiparar a maior ferida (ainda aberta) do Brasil, à escravidão de um povo, com os conflitos virtuais/emocionais/quaisquer que sejam. Já é feio banalizar o termo ‘escravidão’, uma comparação tão explícita assim é inaceitável”, alertou outra.

Ana Clara ainda tentou se defender, mas acabou gerando mais controvérsia. Em resposta a uma seguidora que disse “Parabéns por comparar um processo histórico violento e doloroso para a população negra com likes. Falta de senso”, a também escritora replicou: “Cada era tem sua crise. Não desrespeito nenhuma das duas, diferente do que você fez nesse teu coment (sic)”.

Perdão

Nesta quinta-feira (18/07/2019), Ana Clara Paim decidiu publicar um pedido de desculpas. “Gente, me desculpa se alguém se sentiu ofendido. Jamais foi a minha intenção. Vou pensar mais na próxima vez antes de postar um texto.”

E terminou com um pedido: “Vocês poderiam, por gentileza, parar de me mandar mensagens cada vez mais absurdas? Isso também não resolve nada. Só faz mal pra mim e acredito que pra você”. No Instagram Web, as curtidas seguem sendo mostradas. A súplica já teve mais de 8 mil likes até a publicação desta matéria.

Leia o texto publicado pela atriz

Não sei se é irônico quem estar escrevendo isso ser alguém que trabalha com rede social ou se justamente por isso é que faz total sentido. O sumiço das curtidas no Instagram foi alvo de muito debate entre eu e meus amigos que também trabalham com o aplicativo! Fatos são indiscutíveis. Números são fatos? Sim. Sentimentos também são. Não dá pra negar como me sinto: liberta! Quantas vezes você já verificou a mesma postagem mais de uma vez pra ver quantos corações havia recebido? Eu boto minha mão no fogo que todo mundo, já ficou feliz por um post ter alcançado um número legal de curtidas e também já se perguntou o por quê outro não deu tanto assim. O fato, é que do mesmo jeito que dizem que “mulher se veste pra outra mulher”, nós, postamos pros outros. Senão, um álbum de fotos e um caderno pra ser feito de diário nos satisfaria. Mas não, a gente quer se expor. Quer ter um nome. Uma imagem. Ótimo. Mas então vamos postar o que nos dá vontade, né? Quem verdadeiramente somos. Esse é o intuito inicial de qualquer rede social. Captar a sua essência através do seu conteúdo espontâneo. Se gostarem de você, maravilha, sua popularidade veio com a sua autenticidade. Mas nós, humanos, estragamos tudo. Descoberto isso, a autenticidade virou pré-requisito, a personalidade é elaborada e a necessidade por aceitação é unânime. Logo, não postamos mais nossa essência e sim o que outras pessoas gostariam de ver. Inverteu a porra toda. O que era pra ser um meio de expressão, virou uma prisão em série. Deixamos nossos adolescentes acreditando que precisam ter corpos e famílias perfeitas pra se encaixarem no mundo. Deixamos pessoas anoréxicas em busca de aceitação. Estragamos valores, fodemos nossas crianças, e o que era pra fornecer liberdade só nos trouxe de volta à escravidão. Conteúdo espontâneo de volta, e tudo que for exposto, que seja de coração. A humanidade agradece.

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Não sei se é irônico quem estar escrevendo isso ser alguém que trabalha com rede social ou se justamente por isso é que faz total sentido. O sumiço das curtidas no Instagram foi alvo de muito debate entre eu e meus amigos que também trabalham com o aplicativo! Fatos são indiscutíveis. Números são fatos? Sim. Sentimentos também são. Não dá pra negar como me sinto: liberta! Quantas vezes você já verificou a mesma postagem mais de uma vez pra ver quantos corações havia recebido? Eu boto minha mão no fogo que todo mundo, já ficou feliz por um post ter alcançado um número legal de curtidas e também já se perguntou o por quê outro não deu tanto assim. O fato, é que do mesmo jeito que dizem que “mulher se veste pra outra mulher”, nós, postamos pros outros. Senão, um álbum de fotos e um caderno pra ser feito de diário nos satisfaria. Mas não, a gente quer se expor. Quer ter um nome. Uma imagem. Ótimo. Mas então vamos postar o que nos dá vontade, né? Quem verdadeiramente somos. Esse é o intuito inicial de qualquer rede social. Captar a sua essência através do seu conteúdo espontâneo. Se gostarem de você, maravilha, sua popularidade veio com a sua autenticidade. Mas nós, humanos, estragamos tudo. Descoberto isso, a autenticidade virou pré-requisito, a personalidade é elaborada e a necessidade por aceitação é unânime. Logo, não postamos mais nossa essência e sim o que outras pessoas gostariam de ver. Inverteu a porra toda. O que era pra ser um meio de expressão, virou uma prisão em série. Deixamos nossos adolescentes acreditando que precisam ter corpos e famílias perfeitas pra se encaixarem no mundo. Deixamos pessoas anoréxicas em busca de aceitação. Estragamos valores, fodemos nossas crianças, e o que era pra fornecer liberdade só nos trouxe de volta à escravidão. Conteúdo espontâneo de volta, e tudo que for exposto, que seja de coração. A humanidade agradece.

Uma publicação compartilhada por Ana Clara Paim (@anaclara.paim) em

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