Anitta encerra Equilibrium Tour e fala sobre desafios do projeto
Cantora encerrou a turnê em Salvador, no sábado (29/8), e falou sobre os desafios de levar ao palco um projeto marcado por espiritualidade, ancestralidade e saúde mental

Anitta encerrou a Equilibrium Tour no último sábado (29/8), em Salvador. O show, realizado no Centro de Convenções da capital baiana, marcou a conclusão da turnê inspirada no álbum Equilibrium, projeto em que a cantora aborda temas ligados à espiritualidade, à ancestralidade, à natureza e à saúde mental.
Durante coletiva de imprensa, com participação do Metrópoles, Anitta falou sobre as dificuldades para conseguir patrocinadores e investidores para a turnê. Segundo a cantora, embora o projeto tenha uma temática diferente de trabalhos anteriores, ela não acredita que a falta de apoiadores esteja necessariamente relacionada ao preconceito.

“Eu tenho muitas marcas que já me apoiam em muitos projetos. Acho que todo projeto que é novo gera um pouco de ‘ah, vamos ver se vai dar certo’. Eu acho que é mais uma questão de observar o território”, disse.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesA cantora também destacou a abrangência dos temas trabalhados em Equilibrium e defendeu a capacidade do projeto de dialogar com diferentes públicos.
“Um tema que traz muita controvérsia, mas dentro de uma natureza corajosa e visionária. E eu acho que falar de natureza e saúde mental é falar de futuro com certeza”, afirmou.
Religiosidade e ancestralidade
Anitta é praticante do Candomblé desde a infância e incorporou referências de sua espiritualidade ao projeto. Para a pesquisadora de religiões afro-brasileiras e escolas de samba Cláudia Alexandre, a decisão de colocar a religiosidade no centro de uma obra de grande alcance pode contribuir para ampliar o debate sobre o Candomblé e outras religiões de matriz africana.
“Quando uma artista da dimensão da Anitta assume publicamente uma relação com o Candomblé e coloca essa experiência no centro de uma obra que alcança milhões de pessoas, existe uma potência política nessa visibilidade. De alguma maneira, ela ajuda a deslocar o Candomblé do lugar do segredo, do medo e do preconceito para o campo da cultura, da beleza e do pertencimento”, avalia.
A pesquisadora, no entanto, pondera que a exposição de elementos religiosos também exige cuidado para que a dimensão cultural e comercial não esvazie os significados do sagrado.
“O risco aparece quando o mercado transforma o sagrado em tendência, esvaziando seus sentidos. Eu defendo a visibilidade, mas uma visibilidade acompanhada de respeito, responsabilidade e conhecimento”, afirma.
Por que Salvador?
A escolha de Salvador para encerrar a turnê também dialoga com a presença das religiões de matriz africana na história e na cultura da cidade.
Para o historiador Diogo Dionizio, a capital baiana ocupa um papel importante na preservação e na expressão dessas tradições no Brasil.
“A Bahia é a Meca brasileira, local de chegada das populações afrodescendentes. As marcas africanas são muito fortes por todo o Estado, principalmente em Salvador, a capital mais negra do país, onde o sincretismo religioso se faz presente em todos os elementos culturais e históricos da cidade. Então, nada mais justo que o encerramento seja lá”, afirma.
Com cerca de duas horas de duração, o último show da Equilibrium Tour teve participações de Liniker e do Grupo Ofá e encerrou a passagem da cantora pelo projeto.



