"Vivi um inferno", diz viúva de policial cobrada por dívidas de bets
Por meio das redes sociais, a viúva do policial Danilo Lopes Negrão afirmou que o vício do marido em apostas destruiu a família

Goiânia – A viúva do policial Danilo Lopes Negrão, Raquel Maria de Oliveira Negrão, usou as redes sociais para relatar os momentos que viveu com o marido, em razão do vício em apostas. Segundo ela, o homem morreu após se endividar em quase R$ 1 milhão em razão dos jogos de azar.
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Ao relatar o drama familiar, Raquel tem feito alertas e se posicionado de forma firme contra as Bets. As casas de apostas estão no centro de uma discussão sobre saúde pública e também são grande patrocinadoras dos veículos de TV e internet durante a Copa do Mundo de 2026, com diversas propagandas.

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Ludopatia é o nome dado ao transtorno relacionado ao vício em jogos de azar. No vídeo compartilhado por Raquel nas rede sociais, ela falou sobre os transtornos que viveu em razão do problema. Ainda segundo ela, após a morte de Danilo, ela não teve tempo para viver o luto, pois precisou lidar com cobranças em relação à dívida de quase R$ 1 milhão feita por ele.
“Eu vivi um inferno, porque não tive tempo de sofrer o luto. Muita gente próxima veio e falou: ‘O Danilo deixou uma dívida comigo, eu queria ver como é que você vai fazer para pagar’. Muita gente veio me cobrar, alguns me levaram à Justiça”, desabafou.
Segundo ela, só teve conhecimento total das dívidas após a morte do policial, já que ele não contavam a amplitude do problema. De acordo com ela, o marido pegou dinheiro emprestado com banco, amigos, agiotas e mantinha uma planilha no computador com os valores.
Ainda segundo Raquel, pelo fato do marido ser muito honesto, as pessoas emprestavam os valores. “Ninguém imaginava o que ele estava passando”, disse ela.
Raquel ainda vive os impactos financeiros mesmo quase três anos após a morte de Danilo. Por causa de processos judiciais, a casa da família não pode ser vendida. Danilo Negrão morreu aos 41 anos, em setembro de 2023, em razão de uma depressão decorrente do vício no jogo. Ele deixou a esposa e uma filha.
Vício em bets
Conforme o vídeo de Raquel, ela conta que decidiu compartilhar a história da família no dia do jogo do Brasil, na última quarta-feira (24/6), pois o marido começou a apostar durante a Copa do Mundo de 2022. Raquel conta que o marido começou ganhando, mas depois perdeu “muito dinheiro”.
Segundo ela, a família teve uma conversa com o policial e pediu que ele procurasse ajuda profissional depois que ele perdeu uma grande quantia na derrota do Brasil para a Croácia, que eliminou a Seleção Brasileira do campeonato. Contudo, descobriu que ele faltava às consultas e nunca chegou a receber o diagnóstico, pois não relatou o vício aos médicos.
Para Raquel, compartilhar a história da família é uma forma de alertar outras pessoas que podem estar enfrentando o mesmo problema. “Não joguem. Não joguem pouco, não joguem muito, não joguem nada. Esse jogo não vai te levar para lugar nenhum”, disse.
Plataformas legalizadas
Desde 2025, a legislação determina que as plataformas legalizadas, que possuem autorização do Ministério da Fazenda para funcionar no Brasil, tenham uma ferramenta de autoexclusão, que permite que o apostador bloqueie o próprio acesso. Ela não existe em sites clandestinos.
Em dezembro do ano passado, o Ministério da Fazenda lançou a Plataforma Centralizada de Autoexclusão, pela qual o CPF da pessoa pode ser bloqueado em todos os sites de apostas. Para procurar ajuda, o cidadão pode acessar o Guia de Cuidado para Pessoas com Problemas Relacionados a Jogos de Apostas, elaborado pelo Ministério da Saúde.


