Violência no RJ ameaça desenvolvimento das crianças, alerta Unicef
Neste ano, 382 das 1,5 mil escolas — uma em cada quatro — tiveram de fechar ou interromper atividades por causa de violência

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef, na sigla em inglês) alerta que a violência no Rio de Janeiro ameaça a capacidade de crianças da cidade desenvolverem seu potencial. E afirma que está “preocupada” com a situação, principalmente em escolas.
“Crianças no Rio de Janeiro estão sob um grande risco de não serem capazes de desenvolver seu potencial completo”, afirmou a entidade da Organização das Nações Unidas (ONU) que se ocupa da infância.
O alerta foi lançado depois que a Secretaria Municipal de Educação da cidade brasileira indicou que, de 105 dias do ano letivo, a rede funcionou sem interrupção por episódios violentos (tiroteio, toque de recolher, assalto, operação policial) em só oito. Além disso, 382 das 1,5 mil escolas — uma em cada quatro — tiveram de fechar ou interromper atividades pelos mesmos motivos
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Ver todas“A Unicef está preocupada com o impacto da violência no Rio de Janeiro nas crianças vivendo nos bairros afetados”, disse a organização. “Estudos mostram que interrupções seguidas em ambientes violentos afetam negativamente a capacidade de uma criança de se concentrar e de aprender sem medo.”
A Unicef cita o “impacto psicossocial devastador em crianças” do ambiente de violência. “Ter de buscar abrigo e por vezes testemunhando atos de violência também tem um impacto psicossocial devastador em crianças, com muitas delas sofrendo de síndromes de estresse, como pesadelos e ansiedade.”
“Crescer em um ambiente com incidentes frequentes de violência armada pode levar as crianças a entenderem a violência como uma forma normal de resolver conflitos”, disse. De acordo com a entidade, seus representantes estão trabalhando com as autoridades de Educação e de Segurança Pública do Rio para tentar coordenar medidas e, assim, reduzir o impacto negativo nas crianças.
Para a Unicef, porém, a violência afeta o sistema de educação de outras partes do Brasil. Quase 10% dos adolescentes registrados no ensino público no Nordeste e no Sudeste foram vítimas do fechamento de escolas por causa da violência. No Sul, essa taxa foi de apenas 2%.
Em 2015, mais de 10 mil adolescentes no país entre 10 e 19 anos foram assassinados, um dos números mais elevados do mundo.



