Villas Bôas chora e recebe abraço de Bolsonaro na entrega do cargo

O general Eduardo Dias da Costa Villas Bôas entregou o posto para Edson Leal Pujol, após quatro anos à frente da instituição

Rafela Felicciano/MetrópolesRafela Felicciano/Metrópoles

atualizado 11/01/2019 14:07

Agora ex-comandante do Exército, o general Villas Bôas chorou e recebeu afago do presidente Jair Bolsonaro (PSL) ao entregar o cargo para o seu sucessor, Edson Leal Pujol. Em discurso feito para uma plateia lotada no Clube do Exército, em Brasília, Villas Bôas agradeceu o gesto e declarou ao presidente: “O senhor traz a necessária renovação e a liberação das amarras ideológicas que sequestraram o livre pensar”.

No encerramento do seu discurso, o militar disse: “Brasil acima de tudo”, mas não emendou o restante do lema de Bolsonaro – que termina com “Deus acima de todos”.

O militar também elogiou o trabalho de Sérgio Moro, ministro da Justiça e ex-juiz federal responsável pela Lava Jato. “Ele fez uma verdadeira cruzada contra a corrupção”, pontuou.

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Presente no evento, o ministro da Defesa, Fernando Azevedo, afirmou que Villas Bôas enfrentou instabilidade ao longo de sua gestão, o que teria colocado as instituições democráticas brasileiras à prova.

“Ele conquistou respeito com as entregas certas nas horas certas. Seus maiores feitos foram o que conseguiu evitar, mantendo a ética. Fez do Exército solução e não parte do problema”, ponderou.

Mais cedo, os militares publicaram texto na página oficial da instituição na internet sobre a “instabilidade política” que Villas Bôas teria enfrentado ao longo da sua gestão.

“Em meio à turbulência, o general Villas Bôas foi a voz do Exército Brasileiro, deixando clara a percepção da crise ética vivida pelo país, mas ressaltando a importância da manutenção da estabilidade, da legalidade e da legitimidade, bem como a defesa da Constituição Federal”, diz trecho da publicação.

Villas Bôas fez o discurso usando aparelho para respiração. Ele enfrenta um quadro de esclerose múltipla, uma doença degenerativa. A forma como o general lida com o delicado estado de saúde também foi citado pelo ministro Fernando Azevedo. “Transformou as dificuldades em oportunidades”, ressaltou.

Quem é Edson Leal Pujol?
De perfil discreto, Pujol é conhecido como um homem de poucas palavras. A sua missão é dar continuidade à gestão de Villas Bôas, que passou quatro anos no comando do Exército.

O militar chega ao mais alto cargo com o crivo do presidente Jair Bolsonaro, que seguiu o critério de antiguidade e nomeou Pujol para o posto. Apesar de não transitar no meio político, Edson Pujol e Bolsonaro já se conheciam. Os dois foram colegas na mesma turma na Academia Militar das Agulhas Negras (Aman), em Rezende, no Rio de Janeiro, nos anos 70.

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O general tem 64 anos, nasceu no Rio Grande do Sul, na cidade de Dom Pedrito. Seu pai, Péricles Correa Pujol, foi coronel da Polícia Militar do estado. O comandante iniciou a sua carreira em 1971, quando entrou na Escola Preparatória de Cadetes do Exército.

Daí em diante realizou diversos cursos de aperfeiçoamento e formação militar, entre eles o de paraquedista, inteligência, operações na selva, montanha e caatinga. Ao chegar ao posto de oficial, serviu nos Comandos da Amazônia e do Sul, foi analista da área internacional, chefe de divisão e subchefe no Centro de Inteligência do Exército.

Na área civil, possui MBA Executivo em administração de negócios, e o de gerenciamento de projetos, ambos da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Carta do Exército
Em uma espécie de agradecimento ao trabalho de Villas Bôas, o Exército publicou um texto em sua página na internet enaltecendo a “firmeza” do dirigente ao longo de sua gestão e fez referência ao que chamou de “instabilidade política” que o militar teve de lidar à frente das tropas.

A publicação diz que o general aliou “serenidade, característica de sua personalidade, à firmeza na ênfase do papel do Exército, definido na Constituição, especialmente nos momentos de instabilidade política e social”.

Nos quatro anos que Villas Bôas passou à frente do Exército, o Brasil enfrentou o ápice da Operação Lava Jato, que mostrou o envolvimento de boa parte da cúpula política do país em esquemas de corrupção, o impeachment de Dilma Rousseff e a posse de Michel Temer na presidência.

De acordo com o texto, o general teve papel “apaziguador” diante dessas crises sociais e políticas, classificadas pela corporação como “turbulência”.

“Em meio à turbulência, o general Villas Bôas foi a voz do Exército Brasileiro, deixando clara a percepção da crise ética vivida pelo país, mas ressaltando a importância da manutenção da estabilidade, da legalidade e da legitimidade, bem como a defesa da Constituição Federal”, diz trecho do texto.

Outro ponto ressaltado pelo Exército em relação à gestão do comandante foi a comunicação do general com as autoridades civis e veículos de imprensa, além do público em geral. O reconhecimento de toda essa trajetória, de acordo com a publicação, está visível nos comentários de internautas nas redes sociais. Villas Bôas é usuário assíduo dessas plataformas, sobretudo do Twitter, onde tem mais de 420 mil seguidores.

Por fim, o texto destaca a manutenção de ações operacionais mesmo num “contexto econômico desfavorável”. As intervenções federais nos estados do Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e Espírito Santo são apontadas como algumas das missões mantidas, mesmo com orçamento limitado, para a garantia da paz social.

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