Vídeo: surdo toma celular de mulher e é preso; juíza manda soltá-lo
Leonardo Bezerra, 27, estava preso desde o dia 28 de março. Vídeo mostra o jovem pegando o telefone da mulher, mas advogado descarta roubo

Rio de Janeiro – Jovem surdo acusado de roubo por duas mulheres em Nova Iguaçu, baixada fluminense do Rio, foi solto neste sábado (16/4), por volta das 8h50. Acompanhado dos advogados, Leonardo Bezerra, 27, deixou o presídio Evaristo de Moraes, em São Cristóvão, zona norte da cidade.
Imagens das câmeras de segurança mostram Leonardo de bicicleta, puxando o celular do bolso de uma das mulheres. No mesmo instante, ela e a outra, que está com um bebê no colo, tentam impedir a ação.
https://youtu.be/2Av5DMdFtrs
Elas entram em luta corporal com Leonardo e em certo momento a criança quase cai do colo da mulher. Uma delas, então, pisa no pneu da bicicleta do rapaz, que foge.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesEm seguida, ele foi agredido por populares e levado para a delegacia, onde teve a prisão confirmada, sem conseguir se defender, já que não consegue falar, ouvir, ler e escrever.
Defesa
Mesmo após a divulgação das imagens, a defesa de Leonardo descarta roubo:
“O vídeo traz informações de que ele não cometeu roubo, mas sim algo muito menor. As imagens mostram isso. Cabe ao representante do Ministério Público, dizer o que foi conforme o que ele entender, mas fica claro que não houve roubo”, disse o advogado de Leonardo, Daniel Barbosa Marques ao Metrópoles.
A decisão da juíza Viviane Tovar de Mattos Abrahão, diz que Leonardo não estava armado, agiu sozinho e cita o fato dele ser réu primário e ter bons antecedentes. Segundo a juíza, ele está sendo acusado de roubo simples na modalidade tentada:
“Observe-se que apesar de a vítima ter narrado que foi agredida com socos no peito e no braço, de acordo com a dinâmica dos fatos narrados no inquérito policial o acusado praticou os atos de violência no intuito de garantir o sucesso da prática delituosa, eis que a esta o segurou pela camisa impedindo a sua fuga”, diz trecho da decisão.
A juíza completa que, tal conduta, apesar de reprovável, “não é capaz de, por si só, incutir ao réu a periculosidade necessária a justificar a manutenção de sua prisão, especialmente porque de acordo com o que consta nos autos este possui algum grau de comprometimento cognitivo conforme é possível de verificar pelos documentos juntados por sua defesa”.

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A juíza também fala que não se sabe se sua deficiência cognitiva é capaz de afastar ou não sua culpabilidade. Somente um laudo de sanidade é capaz de atestar ou não.
“A juíza entendeu, presumiu que ele tenha problemas cognitivos, pediu um exame de sanidade. O MP tipificou como roubo apenas por não ter visto o vídeo antes e com base nos relatos das vítimas e dos policiais. Se eles tivessem visto antes, acho pouco provável que eles teriam tipificado como roubo”, disse a defesa do jovem.
Desde a prisão, a família do Leonardo tentava provar a inocência do jovem e mostrar ilegalidades, já que ele foi preso sem intérprete.








