Vendedor de açaí relata agressão da PM em SP: “Tentaram me matar”

Jeová Lima e a esposa estavam vendendo mercadorias quando foram abordados pelo "rapa". Policiais pressionaram o pescoço do ambulante na ação

atualizado 24/01/2021 8:52

Reprodução

O vendedor ambulante Jeová de Oliveira Lima, de 48 anos, foi agredido por ao menos cinco policiais que tentavam imobilizá-lo na rua Direita, na Sé, região central de São Paulo. Ele estava ao lado da mulher, Blanca Medina, quando as agressões começaram. A informação é do portal Uol.

Segundo o casal, eles estavam voltando para casa quando foram abordados por fiscais da Prefeitura de SP em uma ação de apreensão de mercadorias —o chamado “rapa”. As agressões começaram após o vendedor quebrar o para-brisa de uma das peruas dos fiscais.

De acordo com o ambulante, ele foi contido por policiais, que o derrubaram no chão e passaram a pressionar seu pescoço, até que ele perdesse os sentidos.

Ele admite ter danificado o carro da Prefeitura e afirma que “perdeu a cabeça” quando viu os fiscais levando toda a sua mercadoria e o triciclo usado para vender açaí. Para a PM, a ação foi legítima, porque houve dano a patrimônio público e violência contra um fiscal.

Um vídeo feito por Blanca e por outros transeuntes mostra Jeová, que é hipertenso, perdendo a consciência e ficando com olhos e boca entreabertos após as agressões.

“Ele [um policial] colocou o joelho no meu pescoço, daí minha mulher empurrou a perna dele. Aí ele forçou o cassetete no meu pescoço com todo o peso do corpo. Senti meu olho virar e fiquei desacordado. Não sei quanto tempo fiquei assim, se foram minutos, segundos”, relatou Jeová ao Uol.

Após recuperar os sentidos, não foi levado ao pronto-socorro. Foi algemado e encaminhado ao 1º DP, onde foi fichado por “dano, resistência e desobediência”.

Autorização

O casal tem autorização para vender na rua. Eles são licenciados para comercializar seus produtos na avenida São João, 250. Eles afirmam que, no dia da agressão, estavam apenas de passagem pela rua Direita, voltando para casa.

Os dois moram em uma ocupação na rua Quintino Bocaiúva. “Nesse dia estava chovendo e a venda estava fraca. Decidimos voltar para casa e, quando passávamos aqui pela rua, uma mocinha pediu um açaí. Fui tirar, e nessa hora eles chegaram falando que iam levar todas as nossas coisas”, conta Blanca, que trabalha como camelô há cinco anos com o marido.

A gente estava com a licença. Eu ando com ela plastificada e pendurada no carrinho. Eles não quiseram nem saber”, contou.

O investimento total dos bens apreendidos passa de R$ 3.000 – R$ 1.900 só do valor pago pelo triciclo. Para tirar a licença de camelô, o casal investiu R$ 420. “Eu perdi a cabeça, acabei surtando. É a única coisa que eu tenho”, disse Jeová.

PM

A PM classificou a ação como “legítima”. “A PM analisou todas as imagens, também de outros vídeos, que mostram a ação por várias perspectivas, inclusive do vídeo que flagrou o momento em que o ambulante quebra o vidro do veículo municipal, portanto a Polícia Militar considera a ação legítima”, diz a nota da corporação.

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