Transações diretas em yuan, venda de aviões e mais: o saldo da missão à China

Resultados de reuniões em Pequim tendem a ampliar negócios entre os países. China quer que Lula leve mais empresários

atualizado

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Ministério da Agricultura/Divulgação
Imagem colorida mostra pessoas se apresentando em seminário durante visita do Brasil à China
1 de 1 Imagem colorida mostra pessoas se apresentando em seminário durante visita do Brasil à China - Foto: Ministério da Agricultura/Divulgação

Pequim — Em meio à expectativa pelo anúncio de uma nova data para a viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à China, a agenda de encontros entre representantes dos governos e de empresas dos dois países em Pequim entrou na reta final nesta quarta-feira (29/4) com um pacote de novidades.

Resultado de negociações que estavam em curso e de outras iniciadas nos últimos dias pela comitiva montada para acompanhar Lula na visita cancelada pelo presidente por motivos de saúde, o pacote inclui uma série de acordos entre companhias brasileiras e chinesas com potencial para alavancar negócios.

Em um seminário com a presença de representantes dos dois governos e de mais de 500 representantes de empresas de diferentes setores, não faltaram empolgadas menções a iniciativas que, ao menos no papel, tendem a tornar ainda mais expressivos os números da já vitaminada balança comercial Brasil-China.

Uma delas envolve as tratativas para que transações comerciais realizadas entre empresas brasileiras e chinesas possam ser feitas diretamente em real e yuan, a moeda do país asiático, driblando o dólar — hoje as operações de compra e venda são realizadas na moeda americana.

Um acordo prevendo essa possibilidade já tinha sido assinado no início do ano, mas agora houve um passo adicional no processo: o governo chinês acaba de designar um banco do país, o ICBC, para realizar a transação direta, conhecida como “clearing house” (câmara de compensação, na tradução livre).

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Novidade vantajosa

Em Pequim, a secretária de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda, Tatiana Rosito, disse que a novidade pode ser vantajosa para as empresas porque eliminará os custos intermediários hoje existentes com as operações em dólar.

“Passar pelo dólar aumenta o custo. Se isso (a “clearing house”) representar um custo menor, será interessante”, afirmou a secretária, acrescentando que a adesão ao modelo não será obrigatória.

Funciona assim: se uma companhia brasileira vende para a China um carregamento de carnes, poderá negociar e receber em yuan e converter o pagamento diretamente em reais no Brasil.

Sob reserva, um dos maiores empresários do agronegócio do país disse ao Metrópoles que precisará fazer contas para entender melhor se valerá a pena aderir. Teoricamente, com o dólar valorizado, exportar para os chineses na moeda americana traz ganhos expressivos para as empresas brasileiras.

Para além do aspecto financeiro, a questão envolve também geopolítica: como parte do projeto de ampliar sua influência no mundo, a China trabalha para internacionalizar o yuan e tentar torná-lo, no futuro, tão relevante quanto o dólar.

Venda de aviões

Após participar de um dos painéis, o presidente da Embraer, Francisco Gomes Neto, confirmou que a gigante brasileira do setor de aviação anunciará em breve a venda de “cerca de” 20 aviões para a China — ele não quis confirmar o número exato de unidades nem revelar o valor do negócio.

Gomes Neto disse ainda que a Embraer deverá instalar uma base em território chinês para transformar aviões de passageiros em aviões de carga, atendendo a uma demanda crescente do setor de e-commerce do país asiático, que precisa de meios para entregar as mercadorias que vende em profusão pela internet.

Os acordos estão alinhavados. Entretanto, a ideia é que, em razão da dimensão dos dois negócios, eles só sejam anunciados quando Lula se encontrar com Xi Jinping.

Nova data

Inicialmente, o Itamaraty estava trabalhando com a possibilidade de a viagem do presidente à China ser remarcada para maio ou para os meses seguintes, mas fontes da diplomacia brasileira diziam nesta quarta que há chances de a visita ocorrer já em 11 de abril. O Itamaraty aguarda a confirmação do governo de Xi Jinping, que tem uma agenda apertada no próximo mês.

Os chineses querem que, com Lula, o governo brasileiro leve mais uma vez a Pequim uma grande delegação de empresários. O objetivo é organizar, em paralelo à visita, eventos até maiores do que os que terminam agora, de preferência com representantes de mais empresas.

Também nesta quarta, o Conselho Empresarial Brasil-China divulgou uma lista de 21 acordos, memorandos e parcerias que saíram das reuniões realizadas nos últimos dias em Pequim. A relação inclui iniciativas, por exemplo, nas áreas de energia renovável e agricultura. Num dos acordos, a brasileira Suzano acertou com a chinesa Cosco a construção de cinco navios para transporte de celulose e outros produtos de suas plantas industriais.

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