Vacinação de jovens de 18 e 19 anos no DF

Vacina contra Covid: buscas por “terceira dose” cresceram 75% na internet

Pesquisas sobre a dose de reforço tornam-se populares com as crescentes dúvidas sobre a duração da eficácia dos imunizantes

atualizado 25/08/2021 9:50

Vacinação de jovens de 18 e 19 anos no DFGustavo Alcântara / Metrópoles

Ainda sem definição por parte do Ministério da Saúde, a aplicação de uma possível terceira dose de vacina contra a Covid-19 vem ganhando interesse dos brasileiros, que procuram saber sobre a necessidade de um reforço.

Segundo o Google Trends, plataforma de visualização de tendências de pesquisas do Google, as buscas por “terceira dose” aumentaram em 75% na semana entre os dias 8 a 14 de agosto, em comparação com as duas semanas anteriores. Os dados foram coletados pelo (M)Dados, núcleo de análise de grande volume de informações do Metrópoles.

Entre os termos relacionados, uma possível dose extra de Coronavac é a que mais desperta dúvidas. O composto produzido pelo Instituto Butantan, de São Paulo, foi o primeiro a ser aplicado no Brasil. Grande parte dos imunizados com a vacina foram os profissionais de saúde e as pessoas com 60 anos de idade ou mais, públicos prioritários na Campanha Nacional de Imunização. Doses extras da Pfizer e da AstraZeneca, que estão entre as três mais aplicadas no país, aparecem logo depois nos termos pesquisados.

Entre os estados, os brasileiros residentes do Rio de Janeiro são os que mais estão procurando pela dose extra — e não é à toa. Na última quinta-feira (19/8), a Câmara Municipal do Rio de Janeiro aprovou em primeira discussão o Projeto de Lei nº 565/2021, que propõe a aplicação da terceira dose da vacina em idosos. O PL ainda precisa ser votado, mas, em reunião realizada pelo Comitê Científico da Prefeitura na segunda-feira (23/8), foi divulgada a previsão de que o reforço vacinal já comece a partir do mês de setembro.

Em nível nacional, o planejamento de uma terceira dose de vacina ainda patina. Em entrevista ao programa Voz do Brasil, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, pediu cautela sobre o assunto, e afirmou que ainda é preciso que toda a população esteja vacinada com as duas doses. O governo confirmou que, caso seja determinada a terceira vacinação, o estoque permitirá começar a aplicação já no mês que vem.

Em países como os Estados Unidos, a ida pela terceira vez ao posto de vacinação já é uma realidade. O governo norte-americano aprovou nos últimos dias a 3ª dose da vacina da Pfizer e da Moderna em pessoas imunossuprimidas e transplantadas. O país sofre com a lentidão da vacinação, combinada com o avanço da variante Delta, que vem agravando o quadro da pandemia.

O infectologista e consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) Julival Ribeiro explica que uma terceira dose pode ser essencial nos próximos meses, principalmente entre os que se vacinaram no começo do ano: “O que vem sendo observado é que, com o passar do tempo, a proteção da vacina vem diminuindo. E isso é visto principalmente naqueles com mais de 80 anos e pessoas com comorbidades”.

Ribeiro afirma que, assim como nos EUA, a situação da variante Delta faz com que a discussão sobre a dose de reforço seja ainda mais urgente.

“Precisamos analisar a melhor estratégia de avançar com a vacinação entre os jovens, e já engatar uma dose de reforço nos primeiros grupos prioritários. E enquanto isso, precisamos manter as medidas preventivas, até que a maior parte da população esteja realmente imunizada, com duas doses”, ressalta o especialista.

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