Unesco reconhece Paraty e Ilha Grande (RJ) como patrimônio mundial

Um década depois de ser recusados, em 2009, os municípios se unem a outros 21 locais reconhecidos no Brasil com a honraria

Michael Melo/MetrópolesMichael Melo/Metrópoles

atualizado 05/07/2019 11:57

O Brasil tem agora 22 títulos de Patrimônio Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Nesta sexta-feira (05/07/2019), os municípios fluminenses de Paraty e Ilha Grande receberam a honraria.

Um década depois de serem recusados, em 2009, os municípios se unem a Ouro Preto (MG), Olinda (PE), São Luís (MA), Cidade de Goiás (GO) e Salvador (BA), ao Plano Piloto de Brasília, Pantanal, às ilhas de Fernando de Noronha e Atol das Rocas, ao Parque Nacional do Iguaçu (PR), às Paisagens Cariocas (RJ) e ao Cais do Valongo (RJ), que também detêm o título.

A escolha ocorreu durante a 43ª sessão do Comitê do Patrimônio Mundial em Baku, no Azerbaijão. O principal argumento para levar a honraria foi incrementar a defesa dos municípios ressaltando a biodiversidade existente no local.

“Existe ali um sistema cultural com uma diversidade de sítios arqueológicos e históricos, como sambaquis, antigas fazendas, fortificações, o Caminho do Ouro. As manifestações culturais e o núcleo urbano de Paraty, onde residem comunidades tradicionais e seus modos de vida, são a marca da cultura viva desse sítio misto”, defende o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Atualmente, há 14 sítios inscritos como Patrimônio Mundial Cultural e sete bens do Patrimônio Mundial Natural, no Brasil. Paraty e Ilha Grande concorreram com 28 pedidos de reconhecimento.

O título conquistado pelos municípios fluminenses é inédito no Brasil. Paraty e Ilha Grande se tornaram o primeiro sítio misto brasileiro, o outro candidato é a região do Lago de Ocrida, na Albânia-Macedônia. De 1.092 bens inscritos na Lista do Patrimônio Mundial, apenas 38 são mistos — quando dois locais são reconhecidos ao mesmo tempo.

O sítio misto abrange um território de quase 149 mil hectares, em que o centro histórico se cerca de quatro áreas de conservação ambiental. Ali, estão o Parque Nacional da Serra da Bocaina, o Parque Estadual da Ilha Grande, a Reserva Biológica Estadual da Praia do Sul e a Área de Proteção Ambiental de Cairuçu.
“O núcleo histórico colonial de Paraty, seu traçado urbano preservado e o Morro da Vila Velha estão situados na orla da planície costeira, envolvido por um relevo de grandes altitudes, que emoldura a paisagem urbana”, explica o Iphan.
Cerca de 85% da cobertura vegetal nativa permanecem bem conservada e a área do sítio misto forma o segundo maior remanescente florestal do bioma Mata Atlântica. “O território compreende a relação ancestral do homem com a natureza, cujos primeiros registros datam de 4 mil anos”, conclui o Iphan.
A cada ano, um bem brasileiro é submetido à avaliação do Comitê do Patrimônio Mundial. Em 2020, será o Sítio Roberto Burle Marx, no Rio de Janeiro. Em 2021, será a vez dos Lençóis Maranhenses (MA).
Paraty e Ilha Grande em números
• Área total 148.831 ha
• Área de entorno 407.752 ha
• Centro histórico de Paraty (46 ha) e Morro da Vila Velha (13 ha)
• Altitude máxima: 2.088 metros, no Pico do Tira Chapéu na Serra da Bocaina
• Área de entorno: 187 ilhas, muitas cobertas de vegetação primária, e rica diversidade marinha
• 4 unidades de conservação: Parque Nacional da Serra da Bocaina, Parque Estadual da Ilha Grande, Reserva Biológica Estadual da Praia do Sul e Área de Proteção Ambiental de Cairuçu
• 6 municípios: Paraty (RJ), Angra dos Reis (RJ), Ubatuba (SP), Cunha (SP), São José do Barreiro (SP), Areais (SP)
• Centro Histórico de Paraty: tombamento do pelo Iphan em 1958 (61 anos), fundação em 28 de fevereiro de 1667 (352 anos)
Fonte: Iphan

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