Tesouro Nacional recompra R$ 7,1 bilhões em títulos após reeleição de Lula
Operações foram realizadas em meio à movimentação no mercado financeiro, com forte queda da Bolsa de Valores e disparada do dólar
26/10/2026 13:33, atualizado 26/10/2026 13:36

O Tesouro Nacional realizou, nesta segunda-feira (26/10), três operações de recompra de títulos públicos, que somaram R$ 7,1 bilhões.
A medida ocorreu em meio à instabilidade no mercado financeiro após a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições presidenciais de domingo (25/10).
A reação dos investidores ao resultado eleitoral provocou fortes oscilações nos principais indicadores financeiros do país. Nesta segunda, o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira, chegou a ter as negociações interrompidas por 30 minutos após registrar queda superior a 10% nos primeiros minutos do pregão.
Na retomada das operações, o índice chegou a recuar mais de 17%. Por volta das 12h, a Bolsa registrava queda de 15,81%, aos 172.669 pontos.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesO dólar também apresentou forte valorização diante do real. Perto do meio-dia, a moeda norte-americana avançava 9,29%, cotada a R$ 5,45.
A recompra de títulos públicos é um dos instrumentos utilizados pelo Tesouro para administrar a dívida pública e contribuir para o funcionamento do mercado de títulos.
A operação ocorre quando o governo compra de volta papéis que foram anteriormente vendidos a investidores para financiar suas despesas. Com isso, o Tesouro retira parte desses títulos de circulação e oferece recursos financeiros aos participantes das operações.
A medida pode ajudar a ampliar a liquidez, ou seja, a disponibilidade de recursos para negociações, e reduzir distorções nos preços dos títulos em momentos de maior volatilidade.
Reação do mercado
A instabilidade ocorre em meio às incertezas dos investidores sobre os rumos da política fiscal do próximo governo Lula.
Após a confirmação do resultado eleitoral, parte dos investidores passou a exigir taxas de juros mais elevadas para adquirir títulos da dívida pública brasileira, diante da percepção de aumento dos riscos associados ao cenário econômico.
No mercado de renda fixa, os preços dos títulos públicos apresentam uma relação inversa com as taxas de juros. Isso significa que, quando os juros exigidos pelos investidores sobem, os preços dos papéis já negociados tendem a cair.
Esse movimento pode provocar perdas para investidores que precisam vender os títulos antes do vencimento e dificultar as negociações em períodos de maior instabilidade.
