TCU acusa Joesley e Mantega por prejuízo de R$ 126 milhões no BNDES
Ex-presidente do banco público, Luciano Coutinho, também foi responsabilizado pelo rombo, que teria ocorrido em 2007

O Tribunal de Contas da União (TCU) decidiu na quarta-feira (5/7) responsabilizar o empresário Joesley Batista, sócio da JBS, o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega e o ex-presidente do BNDES Luciano Coutinho por um prejuízo de R$ 126 milhões. Eles teriam causado o rombo ao banco público em operação para a compra do frigorífico americano Swift, em 2007.
Relatório do tribunal concluiu, com base na delação premiada de Joesley, que o trio se associou de forma criminosa para conceder vantagens indevidas ao grupo empresarial em negócios com a instituição financeira.

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Ver todasA decisão serve de paradigma para outros processos que serão discutidos no TCU, cujos esquemas tenham sido tratados em delações. E representa um revés para o Ministério Público Federal (MPF), que teme desestímulo às colaborações, amplamente usadas em operações como a Lava Jato.
Joesley, Mantega e Coutinho terão de apresentar sua defesa. Em caso de condenação definitiva, em fase posterior, ficam obrigados a ressarcir os cofres públicos. Constam da lista de responsáveis Victor Garcia Sandri, empresário próximo a Mantega, e gestores do BNDES, que teriam sido negligentes na análise e aprovação do negócio.
Os ministros ponderaram que a aplicação da cláusula da PGR poderá ser rediscutida ao fim do processo, o que significa que há a possibilidade de Joesley se livrar de eventual condenação ao ressarcimento.
Em 2007, o BNDESPar — braço do banco para a aquisição de participação em empresas — capitalizou a JBS, por meio da aquisição de ações do grupo, para viabilizar a compra do frigorífico estrangeiro. Auditoria do tribunal constatou que a instituição financeira pagou indevidamente ágio de R$ 0,50 em ações da JBS, o que causou o dano milionário ao erário.
Na delação, homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em maio, Joesley confessou que pagava suborno a Mantega, por meio de Victor Sandri, para conseguir os aportes do BNDES, entre eles o da compra da Swift. Ele não mencionou participação de Coutinho em tratativas de propina. O TCU alega, no entanto, que os negócios só eram aprovados com aval do então presidente do banco
Choque
O procurador-geral do Ministério Público de Contas, Paulo Bugarin, presente à sessão, contestou a decisão sobre Joesley, justificando que, assim como a PGR, o TCU é representante da União e tem de aderir ao acordo. “O Estado não pode entrar em choque com si próprio.”
Em outros casos, referentes a prejuízos em obras da Petrobras, o TCU já livrou delatores de punições em “homenagem” ao instituto da colaboração. Um deles foi o ex-diretor de Abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa.
Em nota, a JBS afirmou que a decisão do TCU “viola as cláusulas protetivas do acordo de colaboração Fábio Fabrini e disse que vai recorrer. O advogado do ex-ministro Guido Mantega, Fábio Tofic, disse que só vai comentar o caso após ter acesso ao acórdão e aos documentos que o embasaram.

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Ver todasCoutinho, em nota de sua assessoria, informou ter recebido com “perplexidade” a decisão, já que “em sua própria delação”, Joesley o “isenta explicitamente” e a “todo o corpo técnico do BNDES de envolvimento em qualquer prática ilícita”. Ele reafirmou que a operação de aquisição da Swift pela JBS foi “totalmente regular”.
O BNDES não comentou a decisão.



