Sobrinho de Bolsonaro é investigado por violência contra ex-mulher

Orestes Bolsonaro, o Orestinho, é réu em dois processos no TJSP - por lesão corporal e tentativa de feminicídio

atualizado 01/10/2021 16:09

Reprodução

Sobrinho do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), o empresário Orestes Bolsonaro Campos, chamado de Orestinho pela família, carrega um histórico de casos de violência contra a mulher. Ele é réu em dois processos na Justiça de São Paulo por “lesão corporal” e “homicídio qualificado tentado – feminicídio”. Os casos foram relevados pelo jornal Brasil de Fato.

De acordo com as mulheres, elas foram ameaçadas com armas, tiros, agressões e afogamentos, além de arrastadas pelos cabelos em momentos de descontrole de Orestes Bolsonaro.

O namorado de uma ex-companheira de Orestes, Valmir Oliveira, detalhou a agressão sofrida por ela à repórter Juliana Dal Piva, do UOL. O homem contou que ele e a mulher, com quem Orestes viveu por 17 anos, foram atacados há um ano em uma casa em Cajati, a cerca de 230 quilômetros de São Paulo. Um dos filhos de Orestes, de 3 anos, também estava na residência. “Ele falou que ia me matar e que se não me matasse naquele dia ia ser em outra ocasião”, disse Valmir.

Mesmo após a separação, o sobrinho de Bolsonaro ainda tinha uma cópia da chave da casa e entrou com uma arma e um pedaço de madeira, conforme relatou a mulher em depoimento à polícia. Ela disse que o namorado ficou inconsciente por alguns segundos depois de ser atingido pelo objeto. Em seguida, Orestes “sacou a arma” e, após ser mordido por Valmir, atirou contra ele, que não foi atingido. O projétil acertou o lado externo da parede do quarto onde estava a outra filha do ex-casal, mas ninguém ficou ferido.

A mulher conseguiu correr e fugir do local para a residência de uma amiga. Ela registrou a ocorrência na Delegacia de Polícia de Barra do Turvo. Ouvido pela polícia, Orestes Bolsonaro afirmou que ficou “nervoso porque não concorda que [a ex-companheira] levasse o homem para o imóvel onde residiam”. O empresário disse que os disparos efetuados durante a briga foram acidentais.

Por causa deste e outros episódios violentos, a ex-companheira de Orestes obteve uma medida protetiva contra ele. “Ela tem muito receio e, por ela, eu tenho, também pelas crianças. Eles ficam com medo e meus pais também de acontecer alguma coisa. Eu não tenho medo. Fico com receio por ela e pela minha família”, contou Valmir Oliveira.

Procurado pelo UOL na quinta-feira (30/0), o advogado Alexander Neves Lopes, que defende Orestes, disse que só iria se posicionar sobre os processos depois da publicação da reportagem.

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