Educação, Saúde e Economia concentram 70% dos gastos com servidores

Esse porcentual inclui apenas os gastos com servidores civis. Se o ministério da Defesa for incluído, a pasta fica em primeiro lugar

Daniel Ferreira/MetrópolesDaniel Ferreira/Metrópoles

atualizado 22/06/2019 19:45

Abraham Weintraub, Luiz Henrique Mandetta e Paulo Guedes concentram, sob seus guarda-chuvas, 81,4% de toda a força de trabalho da Esplanda dos Ministérios. Dos 622.534 servidores da ativa, 507.106 estão nas pastas de Educação, Saúde e Economia, respectivamente.

Na ponta do lápis, o Ministério da Educação (MEC) conta com 300.833 servidores. O Ministério da Saúde tem 104.130. Já o Ministério da Economia possui em seu quadro um pouco menos: 102.143 servidores.

Educação, Saúde e Economia gastaram R$ 50,9 bilhões com a folha de pagamentos nos cinco primeiros meses deste ano. O índice representa 72,7% do gasto universal com o custeio de salários e benefícios que, entre janeiro e maio deste ano, chegou a R$ 70 bilhões.

Paulo Guedes, titular da Economia, tem a terceira maior concentração de servidores. A curiosidade é que, desde o início da gestão do presidente Jair Bolsonaro (PSL), o economista defende o enxugamento do funcionalismo público e o investimento na digitalização. Ele, por exemplo, suspendeu concursos neste ano.

Apesar da grande concentração de servidores em três pastas, o governo federal acredita que a distribuição se justifica. Para o Ministério da Economia, que gerencia a administração do funcionalismo e efetua os pagamentos, a estrutura de órgãos ligados às pastas engorda o número.

“O Ministério da Educação inclui também todas as universidades e institutos federais de educação, por exemplo. O Ministério da Saúde engloba funcionários da  Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz),  Fundação Nacional de Saúde (Funasa) e Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Por fim, o Ministério da Economia abarca Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS)”, explica o governo, em nota.

Dados com militares
Os dados usados pelo governo para calcular a dimensão do funcionalismo diferem daqueles publicados no Portal da Transparência. Levantamento do Metrópoles constatou que os ministérios da Defesa (412 mil), da Educação (379 mil) e da Economia (112 mil) concentram 84% dos servidores – Saúde, segundo essa base de dados, fica em quarto lugar. Ao todo, eles gastaram R$ 42 bilhões com a folha de pagamento este ano, segundo o canal do governo.

Segundo o Ministério da Economia, as plataformas utilizam bases de dados distintas. “O Portal da Transparência utiliza um critério diferente do Painel Estatístico de Pessoal (PEP) para divulgar dados de servidores públicos federais. O primeiro utiliza a quantidade de vínculos e engloba os militares. Neste caso, por exemplo, um servidor pode ter mais de um vínculo. Já o segundo, disponibiliza dados dos servidores civis (quantidade, despesa, ingressos, aposentadorias, etc)”, destaca a pasta, em nota.

O texto informa, ainda, que os números do Ministério da Defesa podem incluir os servidores militares. “Em relação aos servidores civis ativos da Defesa, existem atualmente 17.223 (dados do PEP)”, frisa. O Ministério da Defesa e as Forças Armadas gastaram com pessoal ativo em 2018 R$ 27,3 bilhões. A previsão para 2019 é de R$ 29,3 bilhões.

R$ 70 bilhões com folha
Nos três últimos anos (2017-2019), a despesa somada de pessoal entre janeiro e maio, incluindo todos os servidores, chegou a R$ 203,48 bilhões. Somente este ano, a folha de pagamento chegou a R$ 70 bilhões. Em 2017, por exemplo, o valor foi um pouco menor: R$ 65,7 bilhões.

Segundo o Ministério da Economia, a alta se deve ao reajuste concedido ao funcionalismo. ‘”Este aumento é reflexo do último reajuste concedido, cuja última parcela foi em janeiro de 2019″, explica a pasta, nota.

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