Em meio à pandemia, Ministério da Saúde perde 3,2 mil servidores públicos
Órgão lidera aposentadorias na administração pública federal. Fiocruz e Anvisa, que trabalham contra a Covid-19, também tiveram perdas

Planejar compras, organizar a estratégia sanitária, negociar contratos para aquisição de testes e vacinas contra a Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus: essas são algumas das atividades que se tornaram primordiais ao Ministério da Saúde em meio à pandemia.
A pasta, contudo, perdeu 3.282 servidores até agosto de 2020. É o órgão da administração pública federal que mais registrou aposentadorias. Para se ter dimensão, somente o Ministério da Saúde representa 30,4% do total de vacâncias e lidera o ranking no serviço público.
Ao todo, 10.789 servidores se aposentaram este ano. Atrás do Ministério da Saúde, estão as pastas da Economia, com 3.008 afastamentos (27,8% do total), e da Educação, com 2.341 (21,7%).
A maior perda foi na estrutura direta do próprio Ministério da Saúde. Somente ela teve 3.015 baixas — 91,8% do total. A estatística faz parte de um levantamento do Metrópoles com base em dados compilados pelo Painel Estatístico de Pessoal, plataforma alimentada pelo Ministério da Economia.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesÓrgãos ligados à pasta também tiveram servidores deixando seus quadros, sendo o maior destaque a Fundação Nacional de Saúde (Funasa). A autarquia teve 161 aposentadorias.
O ranking é composto ainda por órgãos de trabalham diretamente com o enfrentamento da pandemia. A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), por exemplo, trabalha no desenvolvimento e na produção da vacina contra a Covid-19. Ela perdeu este ano 79 funcionários.
Já a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que regula a entrada de medicamentos e vacinas no país, assistiu a 26 servidores deixarem o órgão. A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) registrou uma aposentadoria.
Pelo país
Duas regiões centralizam as baixas: Sudeste e Nordeste. Juntas, elas tiveram 2.630 aposentadorias — 80% do total.
Norte e Centro-oeste tiveram 573 afastamentos (17,5%). A região Sul foi a que menos perdeu servidores federais da saúde: 79. Isso representa apenas 2,4% do total.
“Alertas”
Segundo a Confederação dos Servidores do Serviço Público Federal (Condsef), alertas sobre o avanço dessa situação já vinham ocorrendo há quatro anos.
“A força de trabalho está ficando envelhecida e não está sendo reposta. Isso há três, quatro anos. Mas, desde o ano passado, a situação tem se agravado”, explica o secretário-geral da Condsef, Sérgio Ronaldo da Silva, ao dizer que a pandemia deixou a situação ainda mais crítica.
Com as suspensão dos concursos públicos e com os debates da reforma administrativa, a reposição de servidores deve ficar ainda mais restrita. “A tendência é piorar, sobretudo durante a pandemia em que trouxe problemas graves”, aposta o sindicalista.
Versão oficial
Em nota, o Ministério da Saúde afirmou que possui um total de 46.186 ativos ocupantes de diversos cargos. Segundo a pasta, as aposentadorias representam 6,61% da força de trabalho.
“As aposentadoria não impactaram nas ações de enfrentamento à Covid-19”, resume o texto.















