Caixa Econômica tem déficit de 20 mil servidores, diz associação

De acordo com estudo do Dieese encomendado pela Fenae, cada bancário atende a mais de 1,7 mil clientes em 3 anos

atualizado 27/07/2022 22:08

Bandeiras hasteadas a meio-mastro na Caixa Ecônomica, em sinal de luto a funcionário encontrado morto no prédio - Metrópoles Rafaela Felicciano/Metrópoles

Em meio ao anúncio de uma nova convocação de 500 aprovados no concurso da Caixa Econômica Federal (CEF), a Federação Nacional das Associações de Pessoal da Caixa (Fenae) alerta que o déficit nos quadros da estatal pode ser muito maior.

Estudo encomendado pela Fenae ao Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) mostra que o atual déficit está em 20 mil funcionários. Além disso, cada bancário foi responsável por atender, em média, 1,7 mil clientes no período do estudo, de 2018 a 2021.

Enquanto a estatal perdeu 14.866 postos de trabalho de 2015 a 2020, de acordo com o Dieese. Também houve aumento de 65% na quantidade de clientes atendidos por cada servidor: de 1.070 para 1.775.

Coordenador da Comissão Executiva dos Empregados (CEE/Caixa) e diretor de Administração e Finanças da Fenae, Clotário Cardoso aponta que o aumento na quantidade de clientes e contas tem sido contrário à redução drástica de servidores. “Isso causa superlotação em agências, sobrecarga de trabalho e adoecimento de empregados, prejudicando, inclusive, o atendimento à população”, explica.

A autorização do Ministério da Economia para aumentar o quatro de pessoal da CEF foi concedida há quase um ano, pela publicação de portaria da Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (Sest), em 19 de agosto passado. O texto aumenta a quantidade de aprovados de 84.544 para 87.544: três mil novos postos.

“A Caixa deveria, no mínimo, completar o quadro de pessoal autorizado [87.544 empregados] e repor os desligamentos ocorridos”, argumenta Sergio Takemoto, presidente da Fenae, que inclui também, no cálculo, as baixas com aposentadorias, demissões ou mortes.

Procurada pela reportagem, a Caixa Econômica Federal ainda não se pronunciou. O espaço continua aberto.

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