Alerta: em 2030, 25% da folha será para pagar novos servidores

Panorama é preocupante, diz Banco Mundial. O índice, segundo a instituição, ressalta a necessidade de reforma administrativa e de carreiras

Rafaela Felicciano/MetrópolesRafaela Felicciano/Metrópoles

atualizado 11/10/2019 15:34

Em 2030, quase um quarto dos gastos da folha de pagamento do governo federal será com servidores contratados a partir de 2019. Segundo projeção do Banco Mundial, nos próximos anos, muitos funcionários públicos estarão em condições de se aposentar e há, desde já, um grande contingente sob abono permanência.

O índice, segundo a instituição, ressalta a necessidade de reforma administrativa e de carreiras. “Tais condições tornam os anos vindouros uma janela de oportunidades para reformas de pessoal e de folha de pagamento”, alerta relatório do banco.

O estudo conclui: “A racionalização do sistema de carreiras, aliada a reformas que reduzam salários iniciais e alinhem a progressão em carreira com desempenho e experiência, é capaz de aliar ganhos de eficiência e redução de gastos, com impacto já nos próximos anos”.

Daqui a 11 anos, segundo o Banco Mundial, cerca de 23% dos gastos com folha de pagamento serão executados com servidores contratados neste ano. O governo federal prevê mudanças no regime de contratações, remuneração e de planos de carreira com a reforma administrativa.

Nesta sexta-feira (11/10/2019), o Metrópoles mostrou que o número de servidores que, mesmo em condições de se aposentar, preferem continuar trabalhando aumentou 64% em nove anos. Em dezembro de 2009, 67 mil trabalhadores recebiam abono permanência. Em dezembro de 2017, o índice saltou para 110 mil.

Os dados fazem parte do mais recente panorama do funcionalismo público divulgado pelo Banco Mundial. O documento traz uma radiografia da situação do funcionalismo público, como ganho salarial, projeção de gastos e áreas que necessitam de cortes. O estudo foi publicado dias antes de o governo federal enviar ao Congresso o projeto da reforma administrativa.

Concursos
O orçamento de 2020 prevê que o funcionalismo público federal poderá contratar até 32.553 servidores e criar 2.926 vagas — 35.479 ao todo. O Congresso Nacional aprovou a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). O documento prevê o preenchimento de 30.335 postos somente no Poder Executivo.

O Ministério da Economia reafirma que não há previsão de novos concursos para o Executivo Federal Civil em 2020. “Somente casos excepcionais poderão ser atendidos. É importante esclarecer que as informações presentes no PLOA contemplam uma estimativa de despesa de pessoal para todos os poderes”, destaca, em comunicado.

Aposentadorias
Em três anos, 150.666 servidores públicos federais se aposentarão. O número representa um quarto de todo o funcionalismo da União, que hoje tem nos quadros pouco mais de 621 mil trabalhadores. Somente neste ano, mais de 67 mil deixarão os cargos.

A debandada continua em 2020. A quantidade de aposentadorias vai crescer 1,5% no próximo ano. O volume chegará a 68,8 mil desligamentos. Os dados fazem parte de um levantamento do Ministério da Economia feito a pedido do Metrópoles.