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Brasil

Senado aprova teto de R$ 140 mil para MEI e perdão de dívida

Proposta do governo Lula amplia faturamento, permite dois empregados e prevê perdão de débitos; impacto fiscal é bilionário

15/10/2026 19:00, atualizado 15/10/2026 19:29
KEBEC NOGUEIRA/METRÓPOLES @kebecfotografo
Senado aprova teto de R$ 140 mil para MEI e perdão de dívida

O plenário do Senado aprovou, nesta quinta-feira (15/10), o projeto de lei complementar (PLP) que amplia o limite de faturamento anual do Microempreendedor Individual (MEI) dos atuais R$ 81 mil para R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil a partir de 2028.  O texto segue agora para sanção.

A proposta do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também autoriza a contratação de um segundo funcionário e concede perdão de dívidas de microempreendedores com a União.

O texto foi aprovado pela Câmara dos Deputados na quarta-feira (14/10), por 461 votos favoráveis e quatro contrários, sob a condução do presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB).

A votação se deu a 11 dias do segundo turno das eleições presidenciais, em que Lula disputa a reeleição contra Flávio Bolsonaro (PL), e representa uma entrega da agenda econômica defendida pelo petista na campanha.

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A proposta foi enviada por Lula ao Congresso em junho, quando Motta participou de uma reunião no Palácio do Planalto para receber o projeto.

O presidente da Câmara decidiu colocar a matéria em votação nesta semana, em mais um movimento de aproximação com o governo, mesmo com o apoio formal do Republicanos à candidatura de Flávio.

O texto foi relatado no Senado por Carlos Fávaro (PSD-MT).

O que muda para o MEI

O limite de faturamento está congelado em R$ 81 mil desde 2018.

Segundo a justificativa enviada pelo governo, a inflação acumulada entre janeiro daquele ano e maio de 2026 chegou a 55,4%, o que reduziu o valor real do teto e levou pequenos empreendedores a deixarem o regime simplificado.

O Brasil tem cerca de 17 milhões de MEIs ativos.

De acordo com dados apresentados no parecer, mais de 100 mil microempreendedores foram desenquadrados entre 2025 e 2026 por ultrapassarem o limite permitido.

Veja as principais mudanças previstas no projeto:

  • Faturamento em 2027: aumento do teto anual de R$ 81 mil para R$ 110 mil;
  • Faturamento a partir de 2028: novo limite de R$ 140 mil por ano;
  • Contratação: autorização para até dois empregados, em vez de apenas um;
  • Salários: os funcionários deverão receber um salário mínimo ou o piso salarial da categoria;
  • Substituições: possibilidade de contratar trabalhadores temporários durante afastamentos legalmente previstos;
  • Licitações: criação de possibilidade de processos de contratação pública exclusivos para MEIs.

O faturamento considerado para o enquadramento corresponde à receita bruta do negócio, e não ao lucro.

A mudança permitirá que empreendedores com receitas acima dos atuais R$ 81 mil continuem no MEI, sem precisar migrar para outro regime tributário apenas por ultrapassar esse limite.

Para os negócios abertos durante o ano, o limite será proporcional ao período de funcionamento.

Em 2027, por exemplo, o teto corresponderá a R$ 9.166,67 por mês de atividade. A partir de 2028, o valor proporcional será de R$ 11.666,67.

Perdão de dívidas

Outra mudança é a concessão de perdão integral de créditos de responsabilidade dos MEIs, inscritos ou não na Dívida Ativa da União até 13 de outubro de 2026.

O benefício abrange débitos relativos às contribuições para a Seguridade Social e às obrigações acessórias relacionadas, incluindo juros, multas e encargos legais. Também alcança valores em cobrança judicial ou administrativa e aqueles incluídos em parcelamentos.

Para manter o benefício, o microempreendedor deverá pagar regularmente as contribuições com vencimento nos seis meses seguintes à entrada em vigor da lei. O descumprimento dessa condição provocará o cancelamento do perdão.

Quem tiver ações judiciais relacionadas à cobrança dos créditos contemplados também precisará comprovar a desistência dos processos e a renúncia aos pedidos correspondentes. A medida não prevê devolução dos valores já pagos.

Impacto fiscal e ausência de compensação

Segundo estimativas apresentadas no parecer de Fávaro, a renúncia de receita será de R$ 1,57 bilhão em 2027, R$ 3,15 bilhões em 2028 e R$ 3,38 bilhões em 2029.

O perdão das dívidas também provocará perda de arrecadação, estimada em R$ 1,12 bilhão em 2027, R$ 1,01 bilhão em 2028 e R$ 909,4 milhões em 2029.

Saiba as projeções apresentadas no parecer:

  • 2027: R$ 1,57 bilhão com o aumento do teto e R$ 1,12 bilhão com o perdão das dívidas;
  • 2028: R$ 3,15 bilhões com o novo faturamento e R$ 1,01 bilhão com a remissão dos débitos;
  • 2029: R$ 3,38 bilhões com o aumento do teto e R$ 909,4 milhões com o perdão.

Apesar das estimativas, o projeto não estabelece uma fonte específica de compensação para a perda de arrecadação, como aumento de outros tributos ou redução de despesas.