Secretários de Saúde defendem toque de recolher nacional das 20h às 6h

Em carta, chefes da Saúde estaduais reclamam da vacinação lenta, da postura do governo federal e cobram medidas de isolamento mais rígidas

atualizado 01/03/2021 16:17

Hugo Barreto/Metrópoles

Os secretários estaduais de Saúde divulgaram uma carta em que criticam como o governo federal está enfrentando a segunda onda de casos de Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus.

Eles também defendem, no documento, um toque de recolher nacional das 20h às 6h e durante os fins de semana.

“O Brasil vivencia, perplexo, o pior momento da crise sanitária provocada pela Covid-19. Os índices de novos casos da doença alcançam patamares muito elevados em todas as regiões, estados e municípios”, aponta o texto.

O documento ressalta os números de casos e mortes e atribuem ao Ministério da Saúde a “ausência de uma condução nacional unificada”. A falha teria puxado para cima os índices dramáticos da doença.

Confira carta do Conselho Nacional de Secretários de Saúde, assinada pelo presidente do órgão, Carlos Lula:

Carta dos secretários estaduais de Saúde à nação brasileira by Metropoles on Scribd

“O relaxamento das medidas de proteção e a circulação de novas cepas do vírus propiciaram o agravamento da crise sanitária e social, esta última intensificada pela suspensão do auxílio emergencial. O recrudescimento da epidemia em diversos estados leva ao colapso de suas redes assistenciais públicas e privadas e ao risco iminente de se propagar a todas as regiões do Brasil”, frisa trecho do documento.

Na carta, os secretários defendem um conjunto de medidas a serem executadas por governadores e prefeitos, chamado de “Pacto Nacional pela Vida”, que reúne todos os poderes, sociedade civil, representantes da indústria e do comércio, grandes instituições religiosas e acadêmicas do país (veja as propostas no fim da reportagem).

“[É preciso] maior rigor nas medidas de restrição das atividades não essenciais, de acordo com a situação epidemiológica e capacidade de atendimento de cada região, avaliadas semanalmente a partir de critérios técnicos, incluindo a restrição em nível máximo nas regiões com ocupação de leitos acima de 85% e tendência de elevação no número de casos e óbitos”, acrescentam.

Para os secretários de Saúde, as interações sociais que se intensificaram no período eleitoral, nos encontros e festividades de fim de ano, do veraneio e do Carnaval levaram o país ao estágio atual.

“Infelizmente, a baixa cobertura vacinal e a lentidão na oferta de vacinas ainda não permitem que esse quadro possa ser revertido em curto prazo”, salientam.

Veja as medidas propostas pelos secretários:

  • Proibição de eventos presenciais como shows, congressos, atividades religiosas, esportivas e correlatas em todo território nacional;
  • Suspensão das atividades presenciais de todos os níveis da educação do país;
  • Toque de recolher nacional, a partir das 20h até as 6h e durante os fins de semana;
  • Fechamento de praias e bares;
  • Adoção de trabalho remoto sempre que possível, tanto no setor público quanto no privado;
  • Instituição de barreiras sanitárias nacionais e internacionais, considerando o fechamento dos aeroportos e do transporte interestadual;
  • Adoção de medidas para redução da superlotação nos transportes coletivos urbanos;
  • Ampliação da testagem e acompanhamento dos testados, com isolamento dos casos suspeitos e monitoramento dos contatos;
  • Reconhecimento legal do estado de emergência sanitária e viabilização de recursos extraordinários para o SUS, com aporte imediato aos fundos estaduais e municipais de Saúde, para garantir a adoção de todas as medidas assistenciais necessárias ao enfrentamento da crise;
  • Implementação imediata de um Plano Nacional de Comunicação, com o objetivo de reforçar a importância das medidas de prevenção e esclarecer a população;
  • Adequação legislativa das condições contratuais que permitam a compra de todas as vacinas eficazes e seguras disponíveis no mercado mundial; e
  • Aprovação de um Plano Nacional de Recuperação Econômica, com retorno imediato do auxílio emergencial.

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