Queiroga joga decisão para 2022 e não confirma vacinação de crianças

O ministro da Saúde não informou em qual prazo o governo federal decidirá sobre a vacinação de crianças entre 5 e 11 anos contra a Covid

atualizado 16/12/2021 20:01

Vacinação crianças Getty Images

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afirmou nesta quinta-feira (16/12) que a autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para crianças de 5 a 11 anos serem vacinadas contra a Covid-19 será “amplamente discutida” na pasta antes que qualquer decisão seja tomada.

“Essa documentação vai chegar ao ministério, precisa ser analisada. São esferas diferentes de análise e de decisão, e nós temos o objetivo de com celeridade dar o posicionamento do ministério acerca do tema”, disse Queiroga.

Quando perguntado se o ministério pretende começar a imunizar as crianças contra a Covid-19 ainda em 2021, o cardiologista desconversou: “Quanto tempo a Anvisa demorou pra dar um posicionamento acerca dessas doses? É preciso ser feito uma análise, a avaliação da Anvisa é uma avaliação. A avaliação que é feita pela câmara técnica do ministério é outra avaliação. O ministério vai discutir amplamente esse assunto com a sociedade”.

A Anvisa decidiu, nesta quinta, liberar a aplicação da vacina da Pfizer contra o coronavírus em crianças de 5 a 11 anos. A autorização foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União (DOU).

O imunizante da Pfizer para crianças seguirá uma série de protocolos para garantir que a imunização dessa faixa etária seja segura. Para evitar que as vacinas sejam trocadas no momento da aplicação, o frasco de imunizantes terá cores diferentes: as doses para adultos terão embalagem roxa, e as infantis terão rótulo laranja.

De acordo com a agência sanitária, a vacina será aplicada em duas doses, com intervalo de 21 dias entre cada uma. Além disso, a dosagem do imunizante será especial, de apenas 3 microgramas. Para adultos, o volume é de 10 microgramas.

O gerente-geral de Medicamentos da Anvisa, Gustavo Mendes, explicou que, mesmo com a diminuição da dosagem, a proteção contra a Covid segue garantida para as crianças.

O armazenamento dos dois imunizantes também deverá seguir protocolos diferentes: as vacinas para adultos devem ser guardadas por até 1 mês em temperatura de 2ºC a 8ºC; as infantis podem ser armazenadas na mesma temperatura, porém, por um prazo maior, de 10 semanas.

Início da vacinação

Apesar da autorização da Anvisa, divulgada nesta quinta, ainda não há expectativa para o início da imunização de crianças no Brasil. Cabe ao Ministério da Saúde adquirir doses para este público e incluí-lo no Programa Nacional de Imunização contra a Covid.

Em nota divulgada à imprensa nesta semana, a Pfizer afirmou que o contrato mais recente firmado com o governo federal, para compra de 100 milhões de doses em 2022, permite a modificação das vacinas para diferentes faixas etárias.

Na prática, caso o Ministério da Saúde decida incluir as crianças no PNI no próximo ano, a farmacêutica poderá fornecer doses específicas para este grupo, seguindo o acordo firmado com o governo. No entanto, nenhuma vacina com dosagem especial foi enviada ao Brasil até o momento.

“O terceiro contrato assinado com o governo brasileiro no dia 29 de novembro de 2021 para o fornecimento de 100 milhões de doses da vacina contra a Covid-19 para o ano de 2022 também inclui a possibilidade de fornecimento de versões modificadas do imunizante para variantes, que poderão ser eventualmente desenvolvidas caso necessário, e versões para diferentes faixas etárias, conforme solicitação por parte do Ministério da Saúde”, informou o laboratório.

Antonio Barra Torres, diretor-presidente da agência, enfatizou que não é responsabilidade da agência iniciar a vacinação de crianças contra a Covid. Cabe a agência apenas regular o uso dos imunizantes. O Ministério da Saúde é o órgão responsável por dar início a campanha de imunização e coordenar as ações de vacinação ao redor do país.

Ao ressaltar o papel da Anvisa na criação de normas sobre a aplicação dos imunizantes, Barra Torres lembrou as ameaças de morte sofridas por membros da diretoria-colegiada e por servidores do órgão em outubro deste ano.

De acordo com informações da própria autarquia, os gestores foram ameaçados por mensagens eletrônicas que pediam a rejeição da vacinação de crianças. A PF investiga o caso, mas já concluiu que os e-mails vieram de grupos antivacina.

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