Caso Rodrigo Mussi: saúde mental de acompanhante merece atenção

Acompanhantes de pacientes internados devem priorizar rede de apoio, diz psicóloga sobre casos como o de irmão de Rodrigo Mussi

atualizado 03/05/2022 13:29

rodrigo mussi e diogo mussi em pé e abraçados de ladoReprodução

Desde a hospitalização do ex-BBB Rodrigo Mussi, depois de um acidente de carro, o irmão do influenciador, Diogo Mussi, tomou a frente da situação e passou a ser o porta-voz da família. Mas, como fica a saúde mental de um parente em situações como essa?

Diogo mostrou-se firme, apesar do sofrimento vivido por quase um mês de internação de Rodrigo na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Durante o período, ele atualizou os fãs e a imprensa sobre a saúde do ex-brother.

Acompanhar um familiar em situação delicada é desafiador, principalmente quando se trata de saúde mental. A rotina do hospital é somada à incerteza da recuperação e gera ansiedade, podendo culminar em transtornos mentais, como ansiedade e depressão.

De acordo com a especialista em psicologia da saúde Laura Campos, é comum que, em internações mais prolongadas, os acompanhantes desenvolvam sinais como alterações no sono e no apetite, além de irritabilidade.

Quando eles começam a afetar outras dimensões da vida, é preciso se alertar e enfrentar a situação o quanto antes, como forma de prevenir o agravamento dos sintomas.

Ter uma rede de ajuda é muito importante para reduzir os impactos da mudança brusca na rotina. Isso inclui o apoio de amigos e parentes, que devem dividir responsabilidades, e a equipe médica responsável pelo paciente.

“É importante que esse acompanhante tenha uma relação de confiança com todos os agentes de cuidado daquela pessoa [internada]”, destaca a psicóloga.

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Em casos graves, como o do ex-BBB, é esperado que o impacto emocional seja mais forte. Assim, fatores protetivos para minimizar a evolução de problemas mentais são essenciais.

Manter o autocuidado, incluindo saídas do ambiente hospitalar, praticar exercícios físicos e ter uma rotina espiritual devem ser prioridade. “O acompanhante não pode abrir mão de tudo aquilo que mantém a própria saúde para cuidar do outro”, diz a psicóloga.

Segundo estudo da Universidade de São Paulo (USP) realizado com 282 familiares de pacientes internados em um hospital público de grande porte, pessoas mais idosas tendem a ser mais otimistas, e pessoas casadas tendem a apresentar um nível de estresse mais baixo do que as solteiras.

Solidão

Para Ana Caroline Manso, 25 anos, o sentimento de acompanhar o marido internado foi de solidão. “Foi um período bem complicado para dormir. Nós quase não dormíamos, porque meu marido tinha que tomar antibiótico a cada quatro horas. De dia era muito difícil para descansar porque toda hora entrava alguém da equipe médica no quarto”, lembra.

Ana Caroline comenta que sentiu seu psicológico fragilizado, pois não conseguia realizar atividades de lazer no ambiente hospitalar, como a leitura: “Eu estava extremamente cansada, não tinha uma rotina certa. A qualquer momento alguma coisa poderia acontecer, então ficava aquela tensão”.

Ela relata que teve que ser o suporte emocional para o marido, internado com inflamação em parte do cérebro. Para ela, o que mais ajudou durante o período foi a fé, as orações e visitas que receberam de amigos.

Sofrimento mental

Quanto mais incerto e inseguro for o estado de saúde do paciente, maior é o sofrimento mental do acompanhante. Além das relações que devem ser mantidas com a equipe de cuidado da pessoa internada, é recomendado que o acompanhante se perceba como uma figura ativa no processo de cuidado e nas tomadas de decisões, inclusive após o período de internação.

Foi o caso de Matheus Souza, empresário, que relata ter aprendido bastante ao lidar com o desafio de cuidar da mãe após ela sofrer um acidente vascular cerebral (AVC) em 2020.

“Eu passei a ter mais contato com a minha mãe, a entender e compreender mais a situação dela. Isso não apenas me ajudou com ela, mas a me tornar uma pessoa mais paciente e compreensiva”, diz.

Para ele, a rede de apoio foi de extrema importância para enfrentar a situação e impedir que problemas emocionais surgissem.

“Sempre tive uma família muito unida, um pai presente que dividiu essa função comigo. Embora minha irmã morasse em outra cidade, ela sempre nos apoiava e nos visitava quando podia para nos ajudar. Vi o tanto que foi importante ter apoio familiar e de amigos para saber lidar com tudo isso”, avalia.

(*) Eline Sandes é estagiária do Programa Mentor e está sob supervisão da editora Maria Eugênia

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