Risco de romper: movimentação na barragem de Cocais aumenta 4 vezes

Em 10 dias, estrutura passou a se movimentar de quatro a 16 centímetros a cada 24 horas

Divulgação/Prefeitura de Barão de CocaisDivulgação/Prefeitura de Barão de Cocais

atualizado 25/05/2019 1:13

O talude da mina de Gongo Soco, da Barragem Sul Superior mantida pela mineradora Vale em Barão de Cocais (MG), passou a se movimentar 16 centímetros por dia – quatro vezes mais que medições iniciais, em pontos mais críticos – e 12 centímetros a cada 24 horas em sua porção inferior. É o que indica relatório divulgado nesta sexta-feira (24/05/2019) pela Agência Nacional de Mineração (ANM).

No último dia 13, a Vale comunicou às autoridades que o talude apresentava movimentação. À época, de quatro centímetros por dia. A previsão feita, depois do anúncio, é que o talude desmoronaria entre o último dia 19 e este sábado (25/05/2019).

Na última segunda-feira (20/05/2019), porém, o secretário de Estado de Meio Ambiente, Germano Vieira, afirmou que o talude vai se romper, mas que isso poderia ocorrer também depois do prazo previsto.

O principal risco do desmoronamento do talude é que, ao ruir, para dentro da cava da mina, provoque abalo sísmico com intensidade suficiente para levar ao colapso a Barragem Sul Superior, que está 1,5 km distante da mina. A estrutura já passa por problemas de sustentação. Em 22 de abril, teve alerta de estabilidade elevado a 3, o mais alto da escala, que significa rompimento iminente.

Ameaça
Caso a barragem se rompa, a lama atingirá três municípios, conforme estudo de impacto da Vale: Barão de Cocais, Santa Bárbara e São Gonçalo do Rio Abaixo. Um muro de contenção está sendo erguido entre a estrutura e Barão de Cocais, para tentar deter o lamaçal caso o pior aconteça.

De acordo com o coordenador-adjunto da Defesa Civil de Minas Gerais, tenente-coronel Flávio Godinho, houve uma “potencialização” do medo em Barão de Cocais. “Qualquer aeronave que sobrevoa a cidade causa um temor entre os moradores. Eles acham que se uma aeronave está passando, é porque o talude se rompeu”, disse Godinho à imprensa.

Segundo o secretário municipal do Desenvolvimento Econômico, Juvenal Caldeira, a situação também fez com que o movimento de turistas na região diminuísse bastante. “Pessoas do país inteiro veem estas notícias e, se estavam pensando em visitar a região, desistem ou adiam a vinda”, disse Caldeira à Agência Brasil, ao lembrar que milhares de turistas visitam a região anualmente, atraídos pelas belezas naturais do Parque Nacional da Serra do Caraça. Embora reconheça a importância do trabalho preventivo, ele afirma que o comércio está parado e, a cada nova determinação ou simulado realizado pela Defesa Civil, aumenta a tensão dos moradores.

Vale
Em nota, a Vale reforçou que, desde fevereiro, quando o risco do talude da mina de Gongo Soco ceder foi identificado, vem adotando todas as medidas preventivas para garantir a segurança da população. Em fevereiro, a mineradora retirou, preventivamente, os moradores de um povoado nos arredores de Barão de Cocais cujas casas estão na Zona de Autossalvamento – a primeira a ser atingida pelos rejeitos caso a barragem se rompa. Além disso, a empresa afirma apoiar a realização de simulados para preparar as comunidades a lidar com qualquer cenário possível.

“Tanto o talude da mina de Gongo Soco como a Barragem Sul Superior estão sendo monitorados 24 horas por dia e as previsões sobre deslocamento de parte do talude, revistas diariamente”, afirma a nota, sustentando que “não há elementos técnicos que possam afirmar que o eventual deslizamento de parte do talude poderia desencadear a ruptura da barragem”. (Com Agência Estado)

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