Rio: polícia faz ação contra traficantes na Maré; há suspeitos mortos
Trata-se de uma nova fase da Operação Torniquete. Polícia busca por criminosos ligados ao Comando Vermelho. Moradores relataram tiroteios
atualizado
Compartilhar notícia

A Polícia Civil do Rio de Janeiro (PCERJ) deflagrou nesta segunda-feira (9/12) uma nova fase da Operação Torniquete no Complexo da Maré, na zona norte do Rio. A ação, que usa blindados e até um helicóptero, visa o combate de roubo de cargas e veículos. Informações preliminares relatam ao menos dois suspeitos mortos e três presos, além de fuzis, pistolas, granadas, drogas e munições apreendidos.
Moradores da comunidade relataram troca de tiros em diferentes pontos da Maré.
Conforme as investigações, suspeitos ligados ao Comando Vermelho (CV) arquitetam e gerenciam uma quadrilha de roubos de veículos e de cargas que age para financiar a “caixinha” da facção criminosa, o que viabiliza a compra de armamento, munição e o pagamento de uma mesada aos parentes de presos e das lideranças da facção.
De acordo com a PCERJ, até o momento, três pessoas foram presas. Informações iniciais apontam que outras três foram mortas. Diversos armamentos e munições foram apreendidos.
#BOPE retira armamentos de guerra das mãos de criminosos, durante operação realizada no Complexo da Maré, na manhã desta segunda-feira (09/12). A ação de hoje faz parte do escopo da Operação Torniquete, feita em conjunto com a Polícia Civil. pic.twitter.com/SwCueIuW9H
— @pmerj (@PMERJ) December 9, 2024
Crimes
Segundo a polícia, integrantes da facção que atuam na Maré recebem ordens dos chefes do tráfico do Complexo da Penha — entre eles, Edgar Alves Andrade, o Doca — e “montam todo apoio logístico para que os integrantes da quadrilha de assaltantes, pratiquem seus delitos em diversos bairros do Rio de Janeiro e da Região Metropolitana”.
As investigações revelaram ainda a prática de várias atividades criminosas relacionadas aos roubos de veículos e de cargas, entre elas:
- Armazenamento, transbordo e revenda das cargas roubadas para receptadores;
- Clonagem de veículos para posterior revenda ou troca por armas e drogas;
- Desmanche de veículos para revenda de peças;
- Uso dos veículos roubados pelas quadrilhas para deslocamento e cometimento de outros crimes; e
- Cativeiro de vítimas sequestradas para realização de transferências via Pix.
A ação desta segunda é feita pela Delegacia de Repressão ao Roubo de Furtos de Automóveis (DRFA) e pela Delegacia de Repressão ao Roubo de Cargas (DRFC), com apoio de unidades especializadas, e baseada em dados de investigação e de inteligência.
Além da Civil, a Polícia Militar também atua na região. De acordo com a corporação, agentes do Comando de Operações Especiais, do Batalhão de Policiamento em Vias Expressas e do 22° BPM (Maré) estão atuando nas comunidades da Vila do João, Timbau, Vila Pinheiros e Baixa do Sapateiro.
Operação Torniquete
A última fase da Operação Torniquete foi deflagrada no dia 3 de dezembro, no Complexo da Penha. Ao todo, 900 policiais participaram de uma megaoperação para realizar buscas e apreensões contra integrantes do Comando Vermelho.
Além de agentes da Polícia Civil, a Polícia Militar e o Ministério Público do Rio de Janeiro também participaram da ação. Os policiais trocam tiros com criminosos, que incendiaram barricadas para impedir a entrada das equipes nas comunidades.
Ao menos cinco pessoas foram baleadas, entre elas um policial, e uma mulher grávida foi ferida por estilhaços. Além disso, 10 pessoas foram presas na operação e 15 veículos foram recuperados.
