
Rio elege ex-ministros da Saúde de Lula e Bolsonaro como deputados federais
Nísia Trindade (PT) e Eduardo Pazuello (PL) foram eleitos, nesse domingo (4/10), deputados federais pelo Rio de Janeiro
05/10/2026 10:41, atualizado 05/10/2026 10:43

O eleitorado do Rio de Janeiro elegeu, nesse domingo (4/10), dois ex-ministros da Saúde para representar o estado na Câmara dos Deputados, ambos com visões bem antagônigas sobre gestão de saúde: Nísia Trindade (PT), que comandou a pasta no governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e Eduardo Pazuello (PL), que esteve à frente do ministério durante parte do governo de Jair Bolsonaro (PL).
Nísia recebeu 67.350 votos, o equivalente a 0,76% dos votos válidos no estado. Durante a campanha, a ex-ministra apresentou como principais bandeiras o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS), a ampliação dos investimentos em ciência e tecnologia e a defesa das políticas públicas de saúde.
Ex-presidente da Fiocruz, Nísia comandou o Ministério da Saúde entre 2023 e 2025 e foi a primeira mulher a ocupar o cargo.

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Ver todasDo outro lado, o general do Exército Eduardo Pazuello também garantiu reeleição à Câmara dos Deputados. O ex-ministro de Bolsonaro recebeu 146.148 votos, representando 1,65% dos votos válidos no estado. Pazuello esteve à frente do Ministério da Saúde entre 2020 e 2021, durante a pandemia de Covid-19.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesPazuello era general da ativa do Exército. Em 2022, foi eleito deputado federal pela primeira vez, sendo o segundo candidato mais votado para a Câmara.
Nísia x Pazuello
Nísia: Pautou sua gestão baseada na ciência e em parcerias com a comunidade científica, na valorização do Sistema Único de Saúde (SUS) tradicional e no fortalecimento de órgãos técnicos como a Anvisa e o Programa Nacional de Imunizações (PNI).
Enfrentou diversas críticas tanto de opositores políticos quanto de setores da base governista, parlamentares do Centrão e servidores públicos e analistas de imprensa. As principais críticas direcionadas ao seu período na pasta concentraram-se na crise de gestão da epidemia de dengue e episódios de desperdício de insumos e vacinas vencidas.
Pazuello: Sua gestão ficou marcada pelo alinhamento estrito às diretrizes políticas do então presidente Jair Bolsonaro durante a pandemia de Covid-19, o que incluiu a defesa e o incentivo ao uso de medicamentos sem eficácia científica comprovada para o tratamento precoce (como a cloroquina), além de divergências públicas com orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS).
Foi alvo de investigação parlamentar, culminando em seu depoimento e indiciamento na CPI da Covid no Senado Federal, devido a decisões logísticas na crise de oxigênio em Manaus e à condução geral da política de enfrentamento ao coronavírus.
Não eleito
Marcelo Queiroga (PL), que também foi ministro da Saúde, no período entre 2021 e 2022, no governo Bolsonaro, disputou uma vaga para o Senado Federal pela Paraíba nas eleições desse domingo. O candidato, no entanto, não alcançou a votação necessária para ocupar uma das duas vagas.



