Reforço policial na casa de Bolsonaro vem após pedido de petista
Decisão de Alexandre de Moraes atendeu ofício de Lindbergh Farias, que alertou para risco de fuga do ex-presidente Jair Bolsonaro
atualizado
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O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira (26/8) o reforço no policiamento próximo à casa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpre prisão domiciliar em Brasília desde o início do mês. A decisão atendeu pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), feito após solicitação do líder do PT, o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ).
No ofício encaminhado à Polícia Federal, Lindbergh afirmou haver risco concreto de fuga do ex-mandatário, inclusive a possibilidade de evasão para a Embaixada dos Estados Unidos, localizada a cerca de dez minutos da residência de Bolsonaro, em Brasília. O parlamentar destacou que eventual refúgio poderia comprometer a aplicação da lei penal.
A PGR considerou o pedido “de bom alvitre” e recomendou o reforço da fiscalização. Em sua manifestação, o órgão defendeu que a Polícia Penal do Distrito Federal mantenha monitoramento em tempo integral das medidas cautelares impostas ao ex-presidente, com equipes de prontidão em regime contínuo.
Moraes acolheu a recomendação e determinou a intensificação do policiamento. O ministro afirmou que o reforço é “adequado e necessário” diante da proximidade do julgamento da Ação Penal 2.668, que pode agravar a situação jurídica de Bolsonaro.
Na decisão, Moraes ressaltou que a vigilância deve evitar exposição indevida, “sem adoção de medidas intrusivas da esfera domiciliar do réu ou perturbadoras da vizinhança”.
Contexto do “plano de fuga” de Jair
O pedido de reforço de segurança foi motivado também pela descoberta, em investigações da Polícia Federal, de um rascunho de pedido de asilo político à Argentina encontrado no celular do ex-presidente. No documento, datado de fevereiro de 2024, Bolsonaro alegava perseguição política.
A PF indiciou Bolsonaro e o deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) pelos crimes de coação no curso do processo e tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito.
No celular do ex-presidente, os investigadores encontraram o rascunho de uma carta em que ele pede asilo ao presidente argentino, Javier Milei, alegando ser alvo de perseguição política no Brasil e temer pela própria prisão.
A defesa do ex-presidente minimizou a informação e afirmou ao STF que o texto não representa indício de fuga. Segundo os advogados, o processo criminal que originou as cautelares só foi aberto um ano depois, e Bolsonaro compareceu a todos os atos judiciais.
Com a nova decisão, a casa do ex-presidente seguirá sob monitoramento reforçado, com vigilância permanente e checagem constante do sistema eletrônico de controle.










